Obra em linha da CPTM fecha ciclovia

Trajeto na Marginal do Pinheiros é paralelo à Linha 9 e será interditado por ao menos 4 domingos por causa de reforma na via férrea

BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

23 Março 2012 | 03h06

A ciclovia da Marginal do Pinheiros não funcionará nos próximos quatro domingos e poderá não abrir nos outros cinco seguintes, por causa do fechamento nesses dias da Linha 9-Esmeralda, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), para obras de infraestrutura. Segundo a CPTM, que anunciou cronograma ontem, a medida é para trazer mais segurança à operação - a ciclovia fica paralela à linha de trem.

A Linha 9 é a que mais apresentou falhas neste ano - só no dia 14, uma pane elétrica afetou ao menos 30 mil pessoas. A companhia informou que vai usar 40 ônibus para tentar minimizar a série de transtornos esperados para os 100 mil passageiros que não vão poder usar a Linha 9, a partir deste domingo. O fechamento será da meia-noite de sábado até as 4 horas da segunda-feira. Será de toda a linha, porém, neste domingo e nos próximos três. Do quinto em diante, será alternado, apenas em determinados trechos do ramal.

O plano envolve um complicado esquema que segregou a Linha 9 em três trechos atendidos por linhas de ônibus circulares. Quem percorreria a linha inteira terá de trocar de ônibus até três vezes para seguir viagem. Na média, segundo a CPTM, só a espera por esses ônibus vai aumentar o tempo de viagem em 20 minutos - sem contar que as viagens de ônibus serão mais demoradas do que as feitas em trem.

Quem embarca, por exemplo, na Estação Grajaú e desceria na Osasco, vai receber um bilhete para usar o ônibus gratuito. Mas, a partir daí, terá de descer na Estação Santo Amaro, retirar outro bilhete gratuito, embarcar em outro coletivo, descer na Estação Pinheiros, trocar de bilhete mais uma vez e, aí sim, percorrer o trecho restante, com uma nova baldeação na Estação Imperatriz Leopoldina, da Linha 8-Diamante da CPTM.

A ideia, porém, é que o usuário não precise fazer tantas trocas. Os pontos de embarque no transporte alternativo foram escolhidos, segundo a CPTM, para coincidir com as estações de maior fluxo de passageiros, como a ligação entre Santo Amaro e Pinheiros, usadas para chegar à Linha 4-Amarela do Metrô.

Explicações. O presidente da CPTM, Mário Bandeira, disse que o fechamento das estações é necessário para, principalmente, concluir a troca da rede aérea que abastece a energia dos trens. Segundo Bandeira, desde 2010, os postes que sustentam a rede vêm sendo trocados, em uma média de quatro trocas por noite. "Dos cerca de mil postes que estão sendo instalados, ainda faltam cerca de 300", afirmou.

O presidente da CPTM disse que o fechamento aos domingos será um "grande ataque" para tentar liquidar esse serviço e, assim, garantir a confiabilidade da linha. Equipamentos que permitem ao trem trocar o trilho onde ele está também serão alterados.

Ontem, durante coletiva na Estação Brás, Bandeira disse repetidas vezes que o fechamento aos domingos já estava programado. Mas admitiu que as sucessivas falhas "aceleraram" o processo. "Só iríamos fazer isso daqui a 40 dias." A Linha 9 teve cinco ocorrências graves neste ano - as seis linhas da CPTM somaram 13 "ocorrências notáveis", segundo técnicos. Em 2010, a Linha 9 não havia apresentado nenhuma falha do tipo. No ano passado, essa linha dobrou o número de usuários - hoje transporta 500 mil pessoas por dia.

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