Obra dos anos 80 deixou detalhes relevantes de lado

A reforma pela qual o Teatro Municipal de São Paulo passou na década de 1980 resolveu, principalmente, problemas estruturais. "A infraestrutura e a parte hidráulica estavam muito comprometidas", diz a arquiteta Lilian Jaha, do corpo técnico do prédio. Na época, os camarins foram refeitos. Algumas áreas que precisavam de restauro, porém, não foram concluídas.

Suzane G. Frutuoso, O Estado de S.Paulo

01 Maio 2011 | 00h00

O Salão do Restaurante é um exemplo. Uma tinta creme cobria as paredes do espaço. Ao ser retirada, revelaram-se pinturas originais da época da inauguração do teatro, em 1911. Mas só agora os desenhos ganharam vida, com tintas acrílicas especiais e folhas de ouro. As poltronas serão mais confortáveis graças à nova espuma (e haverá espaço para obesos e pessoas com necessidades especiais). As cores dos assentos ainda são mantidas em sigilo.

Uma série de imprevistos levou alguns trabalhos a serem refeitos. Na fachada principal, o serviço estava programado para ser finalizado em quatro meses. Levou mais de um ano. "Colônias de fungos eram eliminadas e voltavam a aparecer", diz a arquiteta Rafaela Bernardes, do Departamento de Patrimônio Histórico (DPH), especialista em restauro. "Além disso, é preciso aguardar algum tempo para verificar se determinadas técnicas funcionaram."

A parte externa do teatro foi submetida a várias fases de trabalho: limpeza, microjateamento (com microesferas de vidro), aplicação de fungicidas, biocidas e injeção de resina. Um gel que espanta pombos também foi utilizado (com um cheiro insuportável para as aves, sem prejudicá-las e imperceptível para as pessoas). Os vitrais ganharam películas que filtram os raios solares e protegem as cores. O rangido do assoalho de madeira da plateia - que incomodava durante grande parte dos espetáculos - recebeu reparos e está cerca de 80% menor.

Trata-se, agora, da terceira grande intervenção no prédio, símbolo da erudição e elegância de uma São Paulo de 100 anos atrás. Saída das pranchetas de Ramos de Azevedo, a imponente construção no centro da capital passou por reformas em 1954 e em 1987.

Obras. A expectativa é de que até 2012 todos os dez teatros municipais paulistanos devam ter sido reformados pela Prefeitura. O Cacilda Becker (na Lapa, zona oeste) e o Zanoni Ferrite (na Vila Formosa, na zona leste) já ficaram prontos. No caso do Cacilda, antes da reforma, ocorrida entre 2008 e 2009, a média mensal de espectadores que frequentavam o espaço era de 627 pessoas. No primeiro semestre do ano passado, o público já chegava a 1,2 mil pessoas por mês.

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