Obra de teleférico causa polêmica em Aparecida (SP)

MPF de Guaratinguetá abriu procedimento para apurar se a linha de bondes poderá causar prejuízo à segurança dos motoristas que trafegam na rodovia

José Maria Tomazela, Agência Estado

26 Março 2014 | 16h25

SOROCABA - A instalação de um teleférico ligando à Basílica Nacional de Nossa Senhora Aparecida ao Morro do Cruzeiro causa polêmica na cidade de Aparecida, no Vale do Paraíba, em São Paulo. Os bondinhos vão passar sobre as pistas da Rodovia Presidente Dutra, a uma altura de cerca de 40 metros, até atingir o ponto de desembarque no morro, a 80 metros de altura. O teleférico terá capacidade para transportar até 1,5 mil pessoas por hora. O Ministério Público Federal (MPF) de Guaratinguetá abriu procedimento para apurar se a linha de bondes poderá causar prejuízo à segurança dos motoristas que trafegam na rodovia.

De acordo com a procuradora Flávia Rigo Nóbrega, moradores alegam que a obra, feita sem consulta pública, estaria causando danos nas residências vizinhas às torres de sustentação dos cabos. Além disso, segundo o MPF, não há informação sobre a realização de qualquer estudo dos possíveis impactos do empreendimento, nem em especial sobre o cenário da Basílica Nacional e a paisagem urbana. Sobre um possível comprometimento no tráfego da rodovia, o MPF pediu informações à Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT). Também enviou ofício com pedido de informações ao Santuário Nacional. O caso é acompanhado pela Promotoria de Justiça de Aparecida.

Em nota, o santuário informou que o projeto foi autorizado pela prefeitura por meio de lei municipal aprovada em novembro de 2011. A construção, que deve ser concluída até julho deste ano, obteve alvará municipal e é acompanhada por engenheiros responsáveis. Uma portaria editada em dezembro de 2013 pela ANTT e publicada no Diário Oficial da União autoriza a passagem do bondinho pela área de domínio da rodovia Presidente Dutra. O projeto teve ainda aprovação do Corpo de Bombeiros, da Câmara Municipal, da concessionária Nova Dutra e da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

De acordo com o padre Luiz Cláudio de Macedo, administrador da instituição, o santuário acolhe anualmente mais de 11 milhões de visitantes e os bondinhos aéreos serão uma nova atração para a estância turístico-religiosa de Aparecida. "O investimento em estruturas de acolhimento beneficia não só o turista, como todos os munícipes que colhem os frutos do crescente número de peregrinos", disse. O Morro do Cruzeiro, onde aportará o bondinho, tem 87 de altura e toda sexta-feira é palco de uma via sacra que atrai 5 mil fiéis.

Segundo o padre, o teleférico será semelhante ao construído no Santuário de Santa Paulina, em Nova Trento, principal destino religioso de Santa Catarina. O conjunto terá sete torres e 1.100 metros de extensão, com um desnível de 120 metros entre a estação e o reenvio no morro. Serão usados 47 bondinhos de fabricação suíça, com capacidade para seis pessoas nas cabines. Os turistas poderão avistar o santuário e toda a cidade de Aparecida, além de uma parte do vale e da Serra da Mantiqueira.

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