Obra de R$ 17 milhões fica sem uso

Alça de acesso que facilitaria a saída de veículos da Régis para o Rodoanel está pronta há mais de dois anos, mas não foi inaugurada

Diego Zanchetta e Rodrigo Burgarelli - O Estado de S. Paulo,

16 Outubro 2012 | 17h32

SÃO PAULO - Um dos objetivos definidos na construção do Trecho Sul do Rodoanel Mário Covas, inaugurado em 2010 após R$ 4 bilhões de investimentos do governo estadual, era interligar duas das principais rodovias do País - a Imigrantes, na região do ABC paulista, e a Régis Bittencourt, em Embu das Artes. Mas a alça de acesso que facilitaria a saída de caminhões e veículos da Régis para o acesso ao Rodoanel, pronta há mais de dois anos, ainda não foi inaugurada - nem há previsão.

1. Por que a ligação entre o Trecho Sul do Rodoanel e a Régis Bittencourt não pode ser inaugurada?

Apesar de a alça ter custado R$ 17 milhões e estar pronta desde junho de 2010, com as faixas pintadas no asfalto e as placas de limite de velocidade instaladas, não há previsão de inauguração. Isso porque a liberação para o tráfego não foi autorizada nem pela concessionária que administra a Régis Bittencourt (Autopista Régis Bittencourt) nem pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

2. Por quê?

O argumento é que ela é insegura, pois há um afunilamento no fim da alça, bem no encontro com a Régis Bittencourt. Essa situação exige que os motoristas reduzam a velocidade para 40 km/h a 60 km/h, o que poderia ser perigoso. A ANTT diz que a Dersa errou no projeto.

3. Existe risco de acidentes na nova alça?

Segundo especialistas e funcionários da ANTT, o problema é que na alça os veículos vão dividir espaço com os que trafegam na Régis Bittencourt, a uma velocidade de até 90 km/h. Seria necessário mais um trecho segregado, de cerca de 500 metros, para os veículos ganharem velocidade. Essa é justamente uma das exigências da concessionária responsável pela rodovia.

4. Que acesso para o Trecho Sul é usado hoje?

Enquanto a nova alça não é aberta, os motoristas usam o acesso antigo, ao lado do Bairro Vista Alegre. É uma ligação cheia de curvas, feita em baixa velocidade, que provoca congestionamentos, além de haver risco de acidentes. Os moradores que trabalham no bairro vizinho reclamam que chegam a levar até uma hora para percorrer o trecho entre o fim do acesso do Rodoanel e a entrada da cidade.

5. O que diz o governo?

A Desenvolvimento Rodoviário S. A. (Dersa), empresa estadual que executou a obra do Rodoanel Sul, afirmou que considera que seu trabalho está completo, pois a alça foi construída de acordo com projeto previamente aprovado pelos órgãos federais. Já a SPMar, concessionária do Trecho Sul, afirmou que não é de sua responsabilidade adequar a alça.

A QUEM RECLAMAR

Governo de São Paulo

http://www.ouvidoria.sp.gov.br

ouvidoria@casacivil.sp.gov.br

(11) 3337-5463

Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)

0800-610300

ouvidoria@antt.gov.br

antt@antt.gov.br

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