Ernesto Rodrigues/AE–21/7/2011
Ernesto Rodrigues/AE–21/7/2011

Obra de R$ 17 mi do Rodoanel tem falha

Pronta há 1 ano, alça de acesso nunca foi aberta por apresentar risco de acidentes

Renato Machado, O Estado de S.Paulo

26 Julho 2011 | 00h00

Uma falha no projeto impede a abertura da principal ligação do Trecho Sul do Rodoanel para a Rodovia Régis Bittencourt, em Embu das Artes. A alça de acesso está totalmente pronta há mais de um ano, com as faixas pintadas no asfalto e as placas de limite de velocidade colocadas. No entanto, a obra de R$ 17 milhões não pode ser inaugurada, pois, do jeito que está, há risco de acidentes para os veículos que chegam na Régis.

A alça de acesso ficou pronta em junho do ano passado - dois meses após a inauguração do Trecho Sul. Atualmente, há outra ligação com a Régis Bittencourt, aberta com a inauguração do Trecho Oeste (2002), mas é longa, cheia de curvas e feita para baixa velocidade (mais informações abaixo). A nova alça é uma ligação direta com a pista expressa da rodovia federal.

Mas a nova ligação não obtém a liberação para o tráfego da concessionária que administra a Régis Bittencourt (Autopista Régis Bittencourt) nem da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O argumento é que ela é insegura, pois há um afunilamento no final da alça, bem no encontro com a Régis Bittencourt. Essa situação exige que os motoristas reduzam a velocidade para entre 40 km/h e 60 km/h.

O problema é que esses veículos vão dividir espaço com os que trafegam na Régis Bittencourt, a uma velocidade de até 90 km/h. "Sob o ponto de vista da segurança, essa geometria apertada no final é totalmente inadequada e pode haver conflito e acidentes", disse o engenheiro de tráfego Horácio Augusto Figueira. Ele acrescenta que é necessário um trecho segregado, de cerca de 500 metros, para os veículos ganharem velocidade.

Essa é justamente uma das exigência da concessionária responsável pela rodovia federal. "A liberação para uso será feita quando a responsável pela construção implementar a sinalização adequada e construir a faixa adicional necessária."

A previsão é que a abertura leve pelo menos mais dois meses. Um novo projeto da Desenvolvimento Rodoviário SA (Dersa) - responsável pelas obras do Rodoanel - foi aprovado pela ANTT e pela Autopista. Para viabilizar mais rapidamente, não será preciso de imediato a construção de uma outra faixa, mas os caminhões e ônibus não poderão usar a nova ligação.

"Para que seja liberada a primeira etapa há a necessidade que o empreendedor conclua as atividades previstas para viabilizar a nova sinalização e implementar os dispositivos de segurança", informou a ANTT. "Para a segunda etapa (veículos pesados), por ser necessária a implementação de uma terceira faixa no local, o empreendedor deve ainda apresentar um projeto."

Sem erros. A Dersa afirma que não houve erro no projeto de engenharia, que foi apreciado e aprovado pelas autoridades federais antes das obras. A empresa, ligada ao governo estadual, atribui a demora à concessionária, que teria pedido para adiar a abertura, pois faria melhorias no asfalto. Depois, a Autopista Régis Bittencourt teria modificado as exigências para a abertura.

"Fizemos um primeiro projeto de sinalização que eles aprovaram, mas depois pediram adequações. Estamos no terceiro e agora não vai mais mudar. Faremos as intervenções para abrir", disse o engenheiro da Dersa Pedro Silva. A empresa diz que não pretende abrir o acesso para o tráfego de caminhões e, portanto, a nova faixa é desnecessária.

PARA LEMBRAR

Viga caiu no meio da Régis

A nova alça do Rodoanel para a Rodovia Régis Bittencourt (BR-116) fica exatamente ao lado do viaduto do Trecho Sul que registrou um acidente quando ainda estava em obras, em novembro de 2009.

Na ocasião, uma viga caiu no meio do km 279 da Régis, em Embu das Artes, em uma noite de sexta-feira. Três veículos que seguiam pela rodovia não conseguiram parar e atingiram os escombros em alta velocidade - uma carreta basculante e dois automóveis de passeio. Três pessoas ficaram feridas no acidente.

Um relatório do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) apontou que o acidente foi provocado por uma falha de execução (nas obras) e não do projeto de engenharia. O inquérito policial aberto para investigar o caso responsabilizou dois engenheiros da empreiteira contratada pela Dersa pelo acidente.

 

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