Obelisco do Ibirapuera reabre ao público após 12 anos

As obras de restauro, iniciadas em julho de 2013 e recém-concluídas, custaram R$ 11 milhões aos cofres públicos

Edison Veiga, O Estado de S. Paulo

09 Dezembro 2014 | 16h50


Atualizada às 20h46

Depois de passar 12 anos fechado ao público, o Obelisco Mausoléu ao Soldado Constitucionalista de 1932 - mais conhecido como Obelisco do Ibirapuera - foi reaberto nesta terça-feira, 9. As obras de restauro, iniciadas em julho de 2013 e recém-concluídas, custaram R$ 11,4 milhões aos cofres públicos, entre projeto e execução.

A cerimônia de reinauguração foi conduzida pelo governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), ao lado da advogada Fiammetta Emendabili, filha e curadora da obra de Galileo Emendabili (1898-1974), autor do conjunto artístico e arquitetônico. “Essa é uma das solenidades mais significativas do governo, pois se devolve restaurado aos brasileiros de São Paulo o mausoléu, e com ele é resgatado um dos monumentos mais fundamentais da história paulista, aquele que com o próprio sangue foi firmada a aliança perpétua entre nosso povo e o regime democrático”, disse o governador no evento. 


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A revolta paulista contra o governo provisório de Getúlio Vargas e por uma nova Constituição durou 87 dias e terminou com 634 soldados paulistas mortos, conforme o historiador Marco Antônio Villa. É considerado o maior conflito militar no País no século 20.

O Obelisco ficará aberto ao público diariamente, das 10 às 16 horas. A administração segue sob responsabilidade da Polícia Militar, mas está em aberto a possibilidade de a gestão voltar a ser feita pela Sociedade Veteranos de 32-MMDC.

A previsão da PM era reinaugurar o Obelisco em 2 de outubro. “Houve prorrogação do contrato porque surgiram alguns serviços a mais para serem executados”, explicou a arquiteta e tenente-coronel Elaine Lodi, chefe do Centro Integrado de Apoio Patrimonial. “O importante é que está entregue e ficou lindo.”

Reconstrução. Do lado externo, algumas esculturas precisaram ser reconstruídas e o monumento passou por uma limpeza geral intensa. No subsolo, o trabalho foi geral. Ali estão os restos mortais dos estudantes Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo (que deram origem ao famoso acrônimo MMDC), do jornalista Guilherme de Almeida (o Poeta de 32), do jurista Ibrahim de Almeida Nobre (o Tribuno de 32), do agricultor Paulo Virgínio (o Herói de Cunha) e de outros 713 ex-combatentes, cujas cinzas ficam guardadas em columbários. Esses conjuntos de urnas, aliás, eram oito - em um total de 432 nichos. Com as obras, outros oito columbários foram construídos, de modo que há vagas caso familiares de outros ex-combatentes reivindiquem espaço para transferir restos mortais para o mausoléu.


Clique na imagem abaixo para ver infográfico da reforma no Obelisco: 

Mas a principal conquista da obra foi resolver a infiltração de água. Foram escavados cerca de 4 metros de terra de todo o entorno para a instalação de uma manta de impermeabilização.

Justiça. A reinauguração põe fim a uma história que custava a ser concluída. Em 2004, quando uma patrocinadora topou bancar o restauro, os herdeiros de Emendabili entraram na Justiça e contra o “envelopamento” publicitário do obelisco - que seria a contrapartida. A causa está em terceira instância, mas a obra, na ocasião, foi interrompida.


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