OAB defende saída de todas as autoridades do setor aéreo

Presidente da OAB, diz que acidente é uma tragédia anunciada e que espaço aéreo virou "inferno aéreo"

Marcelo de Moraes, do Estadão,

18 de julho de 2007 | 11h45

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, afirmou nesta quarta-feira, 18, que o setor aéreo brasileiro virou um "inferno aéreo" e defendeu o afastamento de todos os dirigentes responsáveis pela área no Brasil. Para Britto, o acidente do vôo 3054, no começo da noite de terça-feira, 17, em Congonhas, demonstra o problema da má gestão do setor. "Esse acidente, esse crime que se comete contra o brasileiro é extremamente grave, pois essa era uma tragédia anunciada", diz o presidente da OAB. "Se a crise é de gestão, temos que afastar todos os responsáveis. Não podemos mais trazer essa insegurança para as pessoas que utilizam o transporte aéreo brasileiro, que ficam sempre na incerteza de se vão ou não chegar a seu destino", afirmou. Britto critica a condução que vem sendo dada pelo governo para tentar solucionar o chamado caos aéreo, iniciado depois do acidente da Gol, em 29 de setembro de 2006, quando 154 pessoas morreram. O presidente da OAB lembra que durante os últimos dez meses foram citados inúmeras razões diferentes para justificar os problemas que afetaram o funcionamento dos aeroportos brasileiros. Ele diz que todos os dias se inventava uma desculpa diferente para o caso. "Num momento eram problemas com o Cindacta 1, em outro era uma pane em um aparelho ou greve de controladores aéreos", diz. "Mas o pano de fundo para tudo isso é, de fato, o completo descaso, a má vontade e a incompetência para resolver esse grave problema que atinge a sociedade brasileira e que não consegue mais `relaxar´ com essas questões". Britto cobrou também que os parlamentares da CPI do Apagão Aéreo apontem os casos de má gestão e exijam punições civil e criminal para os envolvidos. "É preciso também que aprofundem as investigações nos casos de corrupção e de ganância, se for o caso, de companhias aéreas que estão operando acima de sua capacidade". Outra cobrança feita pelo presidente da OAB é em relação às obras feitas para reformulação dos aeroportos do País, que supostamente não teriam priorizado a segurança. "Os investimentos foram de milhões no que se refere ao embelezamento e quase nada em relação à segurança, o que é um contra senso", criticou.

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