O velho casario entra na mira

Os movimentos populacionais de São Paulo são impressionantes. A cada pressão exercida por ciclos econômicos ? seja ela para cima ou para baixo ?, a cidade responde com números grandiosos. Essas alterações provocam impactos nas fronteiras da cidade e, claro, no cotidiano dos paulistanos. Atualmente, mais uma vez, prenuncia-se forte alteração da paisagem, provocada pelo crescimento imobiliário.

, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2010 | 00h00

Olhando as estatísticas populacionais dos anos 50, tempo de forte aceleração de crescimento na região, pode-se ver o quanto esses espasmos expansionistas já assustavam os observadores. Pode-se pensar em dar de ombros para aquelas preocupações, afinal, São Paulo daqueles dias registrava "só" 2.198.096 habitantes.

Mas talvez seja mais prudente não ignorar os ecos do passado e, olhando para trás, tentar ver o tamanho da encrenca que pode estar ali na frente. Há 140 anos, a cidade tinha cerca de 20 mil pessoas. Mais que dobrou em 16 anos (47 mil em 1886). Em 1920, o município já contava com 579 mil habitantes. A partir daí, com a forte industrialização, e olhando-se ciclos de cerca de 15 anos, São Paulo foi dobrando de tamanho. Em 1934, pulou para 1.060.120. Mais 16 anos e ela somou 1 milhão de pessoas a esse contingente. São dados de estudo demográfico publicado em 1958. Hoje, depois de meio século, beira os 11 milhões de viventes.

Nessa balada, engoliu terras de Guaianases, São Miguel (a leste) e Parelheiros (ao sul), além de Jaraguá e Perus, no rumo de Franco da Rocha, como mostram mapas de Aroldo de Azevedo. E verticalizou-se.

Prensada pelos limite dos vizinhos, também em expansão, a cidade se volta para a reocupação. E tenta recriar valor em áreas degradadas do centro. Mas, além de dificuldades no convencimento dos próprios agentes que deveriam mudar para dar exemplo, há outro fator que pode atrapalhar o desejo de retorno: o dinheiro da verticalização ainda vê no casario de vários bairros, lindeiros ou não do Anhangabaú, mas de boa qualidade de vida, muito espaço para levantar moradias e escritórios. E o centro pode ficar de novo a esperar.

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