O trabalho, com solidão e angústia

O pianista recifense Vitor Araújo, de 22 anos, é categórico ao afirmar que não existe melhor lugar para trabalhar no País do que São Paulo. E dia 19 ele estreia a temporada do espetáculo Angústia, na Vila Madalena.

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2011 | 00h00

Mas nem sempre pensou assim. Araújo mudou-se do Recife para São Paulo no ano passado e admite que teve dificuldade de se ambientar. "No princípio, estranhei bastante a cidade. Tive a mesma sensação que a São Paulo de Caetano, da música Sampa." Atualmente o músico mora no Rio. "Quando não tenho trabalho (concertos ou ensaios), vou à praia e fico inspirado, olho para o céu, toco piano e fico pensando na vida. Lá é mais agradável para criar e pensar."

No entanto, São Paulo agora já faz parte de sua rotina de trabalho. Em um cenário de penumbra e pouca luz, Araújo interpretará na Vila músicas e textos literários, destacando um homem que se frustrou no sonho de ser pianista. A ideia é representar o sentimento de quem precisa abrir mão das paixões e desejos por causa de trabalho ou falta de tempo - segundo ele, características da vida urbana. "O sentimento de solidão paira sobre São Paulo. É o que a cidade exala. Todos estão sós." Mesmo assim, ainda se declara apaixonado pela metrópole. "É a única que me dá o tipo de vida na madrugada que eu gosto, com pessoas de lugares diferentes e excesso de informação."

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