'O título da propriedade é um direito do indivíduo'

Paulo Rabelo de Castro é presidente do Instituto Atlântico e ajuda moradores do Morro do Cantagalo a brigar pelo título de propriedade de suas casas. Ele é a favor da concessão da propriedade plena.

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

20 Novembro 2011 | 03h05

Por que o Instituto Atlântico resolveu se envolver com regularização de terra no Cantagalo?

A riqueza imobiliária é altamente concentrada e uma parte não é valorizada por não ter a titulação. No País, a titulação daria impacto da ordem de R$ 40 bilhões em aumento de riqueza para essa população que está afastada da regularidade.

Algumas pessoas temem que, com o título de propriedade na mão, os moradores sejam expulsos dessas favelas. O senhor acredita que isso vá acontecer?

O pobre tem absoluta sensibilidade ao bolso. Ele tem perfeita noção de quanto vale o seu barraco e o mercado é muito sábio. Imagina se um empresário árabe quiser comprar o Cantagalo e colocar um Four Seasons (hotel) ali. Por que não? Mas isso é uma possibilidade extrema.

A prefeitura do Rio não está dando título de propriedade a moradores para impedir a especulação imobiliária. Isso é ruim?

Especulação imobiliária é tudo o que gostaríamos de ter. Não adianta a prefeitura tentar impedir a venda, o indivíduo fará de qualquer jeito. Fará o documento em papel de pão. A prefeitura está usurpando o direito do indivíduo de ficar mais rico. / M.V.

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