O tempo em que Sorocaba quis invadir SP

Cidade restaura praça e casarão nos 170 anos da Revolução Liberal, derrotada por d. Pedro II

JOSÉ MARIA TOMAZELA/SOROCABA , O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2012 | 03h07

Há 170 anos, Sorocaba tentou invadir São Paulo. As forças comandadas pelo brigadeiro Tobias foram repelidas pelas tropas de d. Pedro II, comandadas pelo duque de Caxias, na época ainda barão. Tobias, que fundou a Polícia Militar, tinha apoio do ex-regente do Império, o padre Diogo Antonio Feijó.

O imperador mandou Caxias a Sorocaba para prender o brigadeiro revoltoso. A cidade se armou com canhões para bombardear as tropas imperiais, mas as armas não dispararam um único tiro. Antes de ser preso, Tobias se casou com Domitila de Castro, a Marquesa de Santos.

Esses episódios fazem parte da Revolução Liberal deflagrada no dia 17 de maio de 1842, a partir de Sorocaba.

Nomeado brigadeiro, Tobias foi empossado pela Câmara como presidente interino da Província de São Paulo e convocou a população às armas contra a Monarquia. Os 170 anos do levante estão sendo resgatados em Sorocaba com exposições e projetos. A cidade ainda preserva os três canhões que restaram da marcha libertadora, como os liberais chamaram a malograda expedição para ocupar a capital.

As tropas chegaram até o Córrego Pirajuçara, mas recuaram ao tomar conhecimento de que o exército de Caxias, vindo de Santos, já ocupava São Paulo.

As peças de artilharia, fabricadas na Real Fábrica de Ferro de São João de Ipanema, atual Iperó, foram instaladas em um ponto estratégico, mirando a ponte do Rio Sorocaba. Os canhões que deveriam defender a cidade da invasão das tropas federais não dispararam um único tiro. O brigadeiro Tobias avaliou que seria melhor recuar e evitar o derramamento de sangue.

A praça, conhecida como Largo do Canhão, foi restaurada pela prefeitura. O Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba (IHGGS) mantém, na Casa Aluísio de Almeida, telas, gravuras e documentos relativos à revolução. Entre as atrações estão edições de O Paulista, o jornal que Feijó mandou imprimir para apregoar os ideais liberalistas. Saíram quatro números entre 17 de maio e 20 de junho, tempo que durou a revolução.

O Casarão de Brigadeiro, no bairro do mesmo nome, que pertenceu a Tobias, também teve lançado um projeto de restauração. A casa, construída em taipa, no início do século 19, sedia o Centro de Estudos do Tropeirismo, em Sorocaba, e reúne ainda o acervo do morador.

De acordo com o historiador Adilson Cezar, a importância que a cidade adquiriu por causa das feiras e do movimento tropeirista foi fundamental para o papel de Sorocaba na Revolução Liberal. Era um tempo em que Sorocaba e Itu se rivalizavam em importância econômica com a capital. Em Sorocaba, Tobias de Aguiar fundou a força que seria mais tarde a Polícia Militar.

Causa do levante. O Partido Liberal havia vencido as eleições, mas o Partido Conservador alegou fraude e convenceu d. Pedro II a anular o pleito. Em 1842, o Ministério Liberal foi dissolvido e os Conservadores retomaram o poder.

Não aceitando a troca de ministério, os liberais iniciaram a revolta que ficou conhecida como Revolução Liberal de 1842. Liberais das duas províncias, São Paulo e Minas, aderiram à revolução. Em São Paulo, além de Sorocaba, Taubaté, Pindamonhangaba, Lorena e Silveira também apoiaram a causa liberal.

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