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O sexo e a próstata

Um curioso estudo publicado na última semana mostra que homens que já fizeram sexo com mais de 20 mulheres têm chance quase 30% menor de enfrentar um câncer de próstata, quando comparados àqueles que tiveram poucas parceiras na vida.

Jairo Bouer, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2014 | 02h03

O trabalho, publicado na revista médica Cancer Epidemiology, e revelado pelo jornal britânico Daily Mail, também mostra que, mesmo quando enfrentam um tumor de próstata, os homens com múltiplas parceiras têm chance quase 20% menor de ter as formas mais agressivas da doença. Já o celibato (nunca ter feito sexo) dobraria as chances de um homem enfrentar câncer de próstata.

O câncer de próstata é o segundo que mais atinge os homens no Brasil, atrás apenas do câncer de pele. São 60 mil novos casos e 12 mil mortes por ano. Desde 2012, ocorre no País o "novembro azul", movimento que tenta conscientizar a população para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. Cigarro, excesso de álcool, sedentarismo, dieta gordurosa e histórico familiar são fatores de risco.

Nos últimos anos, algumas pesquisas mostraram um possível efeito "protetor" de uma vida sexual mais ativa na prevenção do câncer de próstata. Assim, homens que ejaculassem com maior frequência, mesmo que por meio de masturbação, se beneficiariam dessa proteção. Para os especialistas, a maior atividade faria a próstata eliminar mais as substâncias nocivas, e evitaria a formação de alguns cristais e calcificações que poderiam prejudicar a saúde dessa glândula, responsável pela produção de uma série de substâncias eliminadas pelo sêmen.

Na nova pesquisa, resultado do estudo canadense PROtEuS (Câncer de Próstata e Estudo Ambiental), os pesquisadores ponderaram que ter mais de 20 parceiras pode ser um indicador indireto de maior frequência de atividade sexual, já que os homens com parceiras fixas tenderiam, com o tempo, a arrefecer o ritmo do sexo em casa.

Por outro lado, o trabalho revelou que um homem que já fez sexo com mais de 20 homens dobra suas chances de enfrentar um tumor de próstata, quando comparado com os homens que nunca tiveram contato íntimo com alguém do mesmo sexo.

Para os pesquisadores, a prática frequente de sexo anal poderia provocar traumas na próstata, que facilitariam o risco de um tumor, e também exporia os homens que não usam proteção a uma variedade maior de DSTs, que também trariam maior risco. Ter um único parceiro, no entanto, não aumentou a chance de os homens gays enfrentarem um câncer de próstata.

Polêmica do PSA. No Canadá, também na última semana, as novas orientações das autoridades médicas (Canadian Task Force on Preventive Health Care) não recomendaram o uso do teste de PSA (proteína da próstata, que tem sua concentração aumentada no caso de câncer) como exame de rotina para avaliar a saúde dos homens de meia-idade. O teste não reduziria as mortes por câncer e poderia trazer prejuízos.

Em 2010, os especialistas do Reino Unido também decidiram não incluir o teste de PSA como parte da avaliação de rotina da saúde masculina. O PSA não diferencia, com confiabilidade, as formas agressivas das não agressivas da doença. Os ingleses avaliaram que seriam necessários 1.410 testes de PSA e 48 tratamentos desnecessários para prevenir uma morte por câncer de próstata.

Para os canadenses, 20% dos homens têm erros de diagnóstico por causa de um resultado de aumento de PSA. E metade dos homens com testes alterados recebe tratamentos invasivos, que poderiam ter sido apenas acompanhados.

As novas orientações não recomendam PSA para homens com menos de 55 anos ou com mais de 70. Entre os que têm entre 55 e 69 anos, o teste também não é recomendado, embora os especialistas reconheçam que uma avaliação caso a caso seja importante. Mesmo em homens com história familiar de câncer de próstata e população negra (grupos de maior risco), o teste de PSA não apresentou benefícios.

JAIRO BOUER É PSIQUIATRA

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