O senhor concorda com a terceirização do atendimento?

Sim

Carlos Alberto de Camargo - É coronel e foi comandante-geral da Polícia Militar entre 1996 e 1997, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2013 | 02h08

Para compreender os benefícios que a terceirização pode trazer ao 190, em primeiro lugar é preciso desconstruir a antiga imagem que se tem da Central de Operações da PM. O atendente não é mais aquele que resolve tudo, mas alguém que faz parte de um Centro de Controle de Comando. Nessa nova estrutura, as decisões mais delicadas e críticas são repassadas para policiais capazes de tomá-las. O atendente funciona como um mero substituto da máquina, para evitar que o cidadão fique pendurado na secretária eletrônica.

Nesse sentido, há espaço para a contratação de terceiros para fazer um serviço considerado de importância secundária. É importante perceber que existe um certo exagero quando se pensa que tudo na PM é estratégico e deve ser mantido em segredo.

Essas informações do 190 podem ser inicialmente recebidas por atendentes terceirizados. Quando a PM tentou terceirizar as oficinas de viaturas e o fornecimento de combustível, houve resistência semelhante.

Não

Se a relação entre o custo e o benefício da terceirização for calculada, a mudança não vale a pena. Os principais problemas são o tipo de treinamento dado aos funcionários terceirizados e o formato do contrato a que eles estarão sujeitos.

Os atendentes civis, por exemplo, são sindicalizados e têm direito a greve. O que ocorreria com o serviço e a segurança pública se eles fizessem paralisação? Além disso, para fazer esse tipo de serviço, a experiência na rua é sempre bem-vinda e pode fazer a diferença no atendimento.

Assim, seria muito mais interessante se fossem chamados para o trabalho policiais impossibilitados de atuar na rua. Eles têm experiência e conhecimento dos trabalhos da PM. É bom lembrar que as empresas privadas estão mais sujeitas à infiltração do crime organizado. Ela pode ocorrer na PM, mas os controles são mais efetivos.

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