'O Rio não é pacificado e a máfia cresce'

Ameaçado de morte pelas milícias, político pretende aproveitar viagem ao exterior para dar mais repercussão a denúncias

Entrevista com

ALFREDO JUNQUEIRA / RIO, O Estado de S.Paulo

02 Novembro 2011 | 03h02

A poucas horas de embarcar para a Europa, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) conversou com o Estado e lamentou a polêmica que, segundo ele, a Secretaria de Segurança do Rio resolveu criar em relação a sua escolta policial e à falta de investigação sobre as novas ameaças contra a sua vida. Presidente da CPI das Milícias, que indiciou 225 paramilitares no fim de 2008, o parlamentar vai sair do Brasil a convite da Anistia Internacional, depois de receber sete novas denúncias de planos para executá-lo. Freixo já foi alvo de 27 ameaças.

Como o senhor avalia a posição da Secretaria de Segurança?

Eu lamento. Em nenhum momento quis que o debate fosse sobre a minha segurança e escolta. Eu tenho segurança desde 2008. É o Estado que me dá, por ser sua obrigação. Não estou saindo por isso, mas pelo acirramento das denúncias (de planos para matá-lo). Foram sete em um mês e não houve resposta do governo.

Mas a Secretaria de Segurança afirma que investigou os supostos planos...

Eles afirmarem que investigaram tudo e só não me informaram porque é sigiloso beira o patético. Primeiramente, o (secretário José Mariano) Beltrame envia uma resposta à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), informando que eu recebi 18 ameaças. Mas, na verdade, foram 27. Então, ele investigou as 18 ou as 27? Ele não sabe nem o número. Segundo, sigilo é até para quem está ameaçado? Eu não tenho de saber? Duvido que eles tenham investigado essas denúncias todas.

O que essa viagem pode ajudar, em termos práticos, no combate à milícia?

Meu objetivo, além de sair do olho do furacão, é mexer com o quadro da segurança pública do Rio. O Rio não está pacificado. Tem uma máfia que está crescendo, que tortura jornalistas, que mata uma juíza, que ameaça parlamentar e aterroriza milhares de pessoas. Com a viagem, já consegui chamar a atenção para o problema. Mesmo um tempo curto lá fora é suficiente para lembrar os 58 pontos do relatório da CPI que propunham ações contra a milícia.

Desses pontos, quantos foram efetivamente implementados?

Somente as prisões dos milicianos. Isso é importante, mas nada foi feito contra o poderio econômico desses grupos. Só agora (após denúncia da TV Globo sobre a atuação da milícia no transporte alternativo) é que o prefeito Eduardo Paes (PMDB) vai licitar as vans.

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