Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

O renascer hi-tech do centenário municipal

Palco do teatro ganhou equipamentos modernos, usados em outros países; reabertura, depois de 3 anos de meticuloso restauro, está prevista para junho

Suzane G. Frutuoso, O Estado de S.Paulo

01 Maio 2011 | 00h00

O som que vinha do palco do Teatro Municipal de São Paulo, na quinta-feira, era o de uma sinfonia diferente das que costumam ser apresentadas por lá. Furadeiras e maçaricos substituíam a melodia de violinos e pianos, enquanto operários transformavam o "coração" do teatro em um tablado hi-tech.

Trata-se da última etapa do restauro, iniciado em 2008. Completando 100 anos em setembro e com reabertura prevista para junho, o prédio, símbolo da renovação do centro, voltará a encantar o público com a riqueza de seus detalhes artísticos e um palco tecnológico.

A reportagem visitou o local, um dos mais importantes patrimônios da cidade, e conheceu áreas já restauradas, como o Salão Nobre e a entrada, onde está a imponente escadaria de mármore. Um segurança seguia a reportagem discretamente por esses espaços, preocupado com qualquer mínimo dano. A tonalidade original de pinturas nos tetos e nas paredes foi resgatada, ressaltando seus desenhos. Acontece o mesmo com o douramento de frisos de portas e janelas.

Para quem conhecia o teatro, a sensação é de que os espaços estão amplos, luminosos. "A tinta antiga tinha um tom de creme que escurece com o tempo. Os detalhes dourados estavam desgastados, apareciam menos", diz Lilian Jaha, arquiteta do corpo técnico do teatro.

Já no palco, os equipamentos são austríacos. Os mesmos instalados na Casa de Ópera de Copenhague, na Dinamarca. Entre outras possibilidades, o sistema permitirá que os cenários sejam trocados em questão de segundos, acionados por um botão. "O Municipal deixa para trás um modo ultrapassado de fazer espetáculo, entrando em um universo contemporâneo", diz o arquiteto José Augusto Nepomuceno, responsável pelas obras do palco.

Varas. As chamadas varas, que sustentam os cenários, ainda funcionavam manualmente. Técnicos do teatro realizavam a movimentação por meio de cordas, com pesos de 20 quilos, que se somavam até levantar a cenografia. Isso limitava o Municipal a comportar apresentações cujos cenários não pesassem mais do que 150 quilos. Agora, essas estruturas poderão chegar aos 950 quilos.

A plateia pode não perceber de imediato a importância da novidade. Mas a mudança deve atrair companhias internacionais, que costumam ter enormes cenários e coreografias que dependem da interação com a cenografia. É o caso, por exemplo, de parte considerável das montagens de ópera e de muitos balés.

Equipamentos de som e iluminação vêm dos Estados Unidos. Os refletores são de LED, um tipo de lâmpada mais cara na instalação. O custo, porém, se dilui em pouco tempo, por causa do baixo consumo e da longa durabilidade. Já o novo sistema de som promete músicas com sonoridade perfeita. Tudo controlado por duas mesas computadorizadas.

Mas românticos que acreditam que o improviso faz parte da arte teatral não precisam se preocupar com tanto profissionalismo. Segundo Nepomuceno, "a fita crepe para ajeitar problemas de última hora jamais perderá seu lugar".

Programação. Após uma crise institucional no início do ano, o paulistano Abel Rocha, de 49 anos, tornou-se o novo diretor artístico do Teatro Municipal de São Paulo e regente-titular da Orquestra Sinfônica Municipal (OSM). O maestro Alex Klein demitiu-se em fevereiro do cargo de diretor artístico, dizendo que, por causa de ingerências, não conseguiria oferecer programação à altura do centenário. Há um mês, em entrevista ao Estado, Rocha adiantou que haverá cinco montagens até dezembro. "Teremos uma ópera italiana, uma brasileira, uma francesa, uma alemã e uma opereta."

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