Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

O que se sabe sobre incêndio que derrubou prédio no centro de SP

Edifício foi projetado pelo arquiteto Roger Zmekhol, construído em 1961 e tombado em 1992; foi sede da Polícia Federal em São Paulo e um posto do INSS

Ana Paula Niederauer, O Estado de S.Paulo

02 Maio 2018 | 11h18

O incêndio e o desabamento

O Edifício Wilton Paes de Almeida, de 24 andares, desabou durante um incêndio de grandes proporções no Largo do Paiçandu, no centro de São Paulo, na madrugada desta terça-feira, 1º. Um edifício vizinho também pegou fogo nos três primeiros andares, mas não corre risco de colapso. A Igreja Evangélica Luterana, que fica ao lado do prédio em chamas, também pegou fogo e teve 90% de sua estrutura destruída.

O prédio era uma antiga instalação da Polícia Federal e depois foi ocupado por imigrantes e brasileiros. Não se sabe ainda quantas pessoas estavam no local enquanto as chamas tomavam conta do edifício.

Como começou o incêndio?

Relatos de moradores indicam que o fogo teve início no 5.º andar, por volta de 1h30, desta terça-feira, 1º, quando se ouviu um estrondo e o prédio teria sofrido um abalo. O desabamento do prédio ocorreu às 2h50. Agora pela manhã, o secretario da Segurança Pública, Mágino Alves, afirmou que o incêndio pode ter sido causado por um acidente doméstico, como explosão de uma panela de pressão ou botijão de gás.

Número de mortos e feridos

Ainda não há confirmação sobre número de mortos, mas os bombeiros afirmam que pelo menos uma pessoa está oficialmente desaparecida, um homem identificado como Ricardo, que chegou a passar pelo processo de resgate, o qual foi interrompido no desabamento. A corporação informa que 49 pessoas estão desaparecidas.

Quantas pessoas viviam no local? 

Ao menos 317 pessoas viviam irregularmente no imóvel que desabou no Largo do Paiçandu, segundo a Assistência Social da Prefeitura. A Prefeitura estima que, desse total, 25% eram de famílias estrangeiras. Os bombeiros informaram que o prédio havia sido vistoriado em 2015, quando foram relatadas as péssimas condições do local às autoridades do Município. 

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Buscas sob os escombros 

Segundo o capitão Marcos Palumbo, porta-voz do Corpo de Bombeiros, a corporação está seguindo protocolos internacionais e visando à segurança ao evitar entrar na estrutura neste momento. "Não podemos entrar agora sob risco de sofrer algum acidente. Estamos resfriando e retirando o entulho do entorno para notar como a estrutura se comporta e poder agir na sequência", disse o capitão.

Equipes só vão iniciar a retirada dos escombros com escavadeiras após 48 horas, quando as chances de encontrar um sobrevivente são praticamente nulas. 

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Trabalho na região

A previsão do Corpo de Bombeiros é que o trabalho na região se prolongue por ao menos mais uma semana.

Auxílio às vítimas

O governo do Estado ofereceu auxilio aluguel às vítimas - o valor é de R$ 1,2 mil no primeiro mês e de R$ 400 nos próximos 11 meses. E a prefeitura ofereceu vagas em abrigos, mas os desabrigados se recusam a sair da praça que fica em frente ao prédio que desabou

Vistorias em prédios ocupados na região

Após incidente, a Prefeitura de São Paulo anunciou vistorias em 70 prédios ocupados na capital para avaliar eventuais riscos estruturais e de incêndio.

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Possível motivo para o desabamento

Segundo o engenheiro civil Flávio Figueiredo, será necessário analisar o projeto estrutural do edifício para entender como aconteceu o desabamento. "Foi uma sorte muito grande ter caído daquele jeito. Dependendo de onde perdesse a sustentação, poderia ter sido pior: poderia ter enfraquecido de um único lado e ter tombado inclinado", explica o conselheiro do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de São Paulo.

Ele aponta que um dos possíveis motivos para o desabamento foi o fogo ter se alastrado pelos andares inferiores, em vez de ter um foco concentrado. A retirada dos elevadores - que criou dutos de ar no fosso - também pode ter ajudado a criar uma "chaminé". A perícia oficial será possível somente após o fim dos trabalhos de resgate.

Histórico do prédio Wilton Paes de Almeida

O Edifício foi projetado pelo arquiteto Roger Zmekhol, construído em 1961 e tombado em 1992. Foi sede da Polícia Federal em São Paulo e um posto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), até ser repassado pela Caixa Econômica Federal à União. Um conflito sobre pagamento de taxas, no entanto, levou o caso à Justiça. Ou seja, o edifício é da União, mas está em nome da Caixa. Em julho de 2014, a União conseguiu fazer a reintegração de posse, mas o imóvel foi novamente invadido cerca de dois meses depois, quando já havia sido cedido à Prefeitura de São Paulo. 

Em 2014, o Município chegou a desistir de um convênio formal, que acabou sendo retomado no ano passado. Neste momento, o prédio se encontrava em negociação para ser transferido oficialmente à Prefeitura. Seria reformado e transformado em repartições públicas, recebendo órgãos que hoje funcionam em imóveis alugados. A gestão municipal afirmou ter feito, apenas em 2018, seis reuniões para negociar a desocupação da área de forma pacífica. Havia 17 anos que o edifício não era usado oficialmente.

Segurança do Edifício

Um laudo enviado pela Prefeitura para o Ministério Público, em 2016, aferia que o local não tinha riscos estruturais, o que acabou sendo determinante para o Ministério Público arquivar uma investigação aberta em 2015 sobre a segurança do local. O inquérito foi reaberto nesta terça. Indagado, o secretário da Segurança Urbana, José Roberto Rodrigues, afirmou que o fogo, por si, poderia alterar condições estruturais.

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