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O que pode ser notícia em 2016?

Esta primeira coluna do ano aproveita os temas que foram destaque nos últimos meses para apostar em novas pesquisas, descobertas, discussões e polêmicas que devem aparecer em 2016. Vamos lá?

Jairo Bouer, O Estado de S. Paulo

03 de janeiro de 2016 | 03h00

Teste e vacina para zika? No final do ano, a Anvisa aprovou a primeira vacina contra a dengue, com cerca de 65% de eficácia. A aprovação traz esperança de esforços concentrados, agora, para o desenvolvimento tanto de testes rápidos como de uma possível vacina contra o zika, vírus relacionado à epidemia de microcefalia que vem assustando o País. 

Pouco se sabe ainda sobre a patogenia do vírus (como ele ataca o sistema nervoso do feto em desenvolvimento). Não estão claras, também, outras possíveis vias de infecção, como sexual e por transfusão de sangue. Novas estratégias biológicas para controle das populações do mosquito Aedes aegypti (vetor da dengue e do zika) estão sendo testadas. Muitas novidades devem vir nesse campo.

Biológicos ou Biossimilares? Os “genéricos” dos medicamentos biológicos (chamados de biossimilares) estão chegando ao Brasil. O lado bom é que eles poderiam, eventualmente, aumentar o acesso aos tratamentos de alto custo (com anticorpos monoclonais) de doenças autoimunes, como a Síndrome de Crohn e a artrite reumatoide, entre outras.

Mas a luz vermelha acende quando se sabe que, diferentemente dos genéricos dos medicamentos tradicionais, que são cópias simples das moléculas originais, os biossimilares nunca são idênticos aos biológicos que tentam imitar. 

Isso acontece porque os biológicos são produtos altamente complexos, produzidos por organismos geneticamente modificados (bactérias) desenhados especialmente para essa função e, depois, passam por uma gama grande de processos químicos e biológicos de produção e purificação. 

O risco é que ocorram problemas sérios, como perda de eficácia, aumento de reações alérgicas e comprometimento do resultado do tratamento. É fundamental uma legislação clara, que defina o nome desses biossimilares (em alguns países o nome é idêntico ao do biológico original, o que pode provocar confusão) e um maior esclarecimento para médicos e pacientes sobre o que está disponível nos serviços de saúde. 

Seria importante que esses produtos similares fossem testados cientificamente, também, para cada uma das indicações para as quais, muitas vezes, os biológicos originais já receberam aval, antes de serem prescritos para os pacientes.

Anticorpos contra o câncer? Ainda na classe desses anticorpos monoclonais (medicamentos biológicos), há novidades para o tratamento de diversos tipos de câncer, doença que aumenta à medida em que a população envelhece. 

Esses anticorpos (imunoterapia) são uma alternativa aos tratamentos disponíveis hoje, como a quimioterapia, que traz muitos efeitos colaterais. Eles podem ser uma espécie de “terapia de resgate”, para os casos mais graves de diversos tipos de tumor, como de pulmão, bexiga, cabeça e pescoço, esôfago, cólon e mama, entre outros.

Nosso sistema imunológico é, em geral, capaz de identificar e combater células cancerosas que apareçam no nosso corpo, ao identificar alguns marcadores. Mas alguns tumores usam “armadilhas” para inativar nossas defesas. Os anticorpos monoclonais oferecem uma espécie de “escudo” para nossas células de defesa que, assim, podem voltar a destruir seu alvo. 

HIV na mira? Muito se falou sobre o HIV em 2015. Apesar dos esforços para aumentar as testagens, o início precoce do tratamento e a pesquisa com novas formas de prevenção como a profilaxia pré-exposição (PrEP), o Brasil ainda segue com cerca de 40 mil novos casos de aids todos os anos.

Testes com vacinas e novos esquemas terapêuticos (antivirais de liberação lenta, que poderiam ser tomados em doses únicas a cada mês, ou ainda, até a cada 6 ou 12 meses) estão sendo investigados. Até esquemas alternativos da PrEP, como o uso de comprimidos apenas antes e depois de uma relação sexual, estão sendo avaliados. Quem sabe não conseguimos zerar a transmissão sexual do HIV até 2030?

JAIRO BOUER É PSIQUIATRA

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