O que não dá mais para esperar?

O Estado conversou com 12 especialistas para apontar as principais questões que os próximos governantes deverão enfrentar

, O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2010 | 00h00

1) AUTORIDADE METROPOLITANA

Criar autoridades metropolitanas, com orçamento próprio, para que os gargalos das metrópoles sejam enfrentados de forma integrada, sem a interferência de questões político-partidárias. Não dá mais para pensar em planejamento de uma cidade sem pensar no entorno. O desafio será forçar municípios a trabalhar em sintonia - se o sistema institucional continuar igual, se os orçamentos continuarem separados e se não houver incentivo para as cidades trabalharem em cooperação, a tendência é continuar tudo como está.

2) METAS CLARAS

Montar bancos de dados, investir em pesquisas e melhorar indicadores que ajudem a definir metas para as metrópoles, da habitação à violência. Sem informação, fica impossível criar políticas públicas que atinjam o cerne da questão.

3) DINHEIRO BEM APLICADO

Usar a verba do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), da Olimpíada e da Copa do Mundo de forma integrada, em grandes projetos urbanos. Sem planejamento do uso das verbas que já foram prometidas, a infraestrutura das cidades não será melhorada, os eventos não criarão um legado e não haverá melhora significativa na qualidade de vida das pessoas.

4) REPASSE FEDERAL

Aumentar o repasse federal para as metrópoles. O "abandono gerencial" das regiões metropolitanas fez com que cidades essenciais para o desenvolvimento do País ficassem sem a representatividade devida. As economias das regiões metropolitanas de São Paulo e Rio, por exemplo, são maiores do que as de 40 países da África juntos. Ainda assim, o repasse federal dos impostos está longe de ser equivalente a essa importância.

5) OBRAS INVISÍVEIS

Investir em obras "invisíveis", como saneamento básico. Hoje São Paulo, o Estado mais rico do País, tem índice de tratamento de esgoto pouco maior que 50%. É preciso estudar incentivos financeiros para que os municípios tratem seu esgoto e focar em sistemas descentralizados, como fossas nas áreas periféricas.

6) BOOM IMOBILIÁRIO

Aproveitar o boom imobiliário para revitalizar bairros degradados e melhorar a vida dos moradores. É importante, acima de tudo, que exista um equilíbrio entre a capacidade do sistema viário e a concessão de licenças para novas construções. Não se pode permitir um boom imobiliário à custa de toda a população.

7) AS METRÓPOLES DE AMANHÃ

Investir no desenvolvimento das cidades médias, para que elas não repitam os erros das metrópoles e para diminuir o inchaço das periferias. Há um mito de que as megacidades estão explodindo, mas são as cidade médias, no meio do caminho, que estão crescendo mais. Existem centenas de cidades médias que deveriam estar se preparando para não repetir os erros que as cidades grandes cometeram no passado e usando essa oportunidade de crescimento para se planejar melhor.

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