Renato Vieira/Estadão
Renato Vieira/Estadão

O que fazer no Tatuapé

Sítios históricos, compras e bons restaurantes na "capital" da zona leste

O Estado de S. Paulo

22 de setembro de 2015 | 16h30

Cerca de 100 mil pessoas vivem hoje no distrito do Tatuapé, que inclui, de um total de doze bairros, a Chácara do Piqueri, o Parque São Jorge e o Jardim das Acácias. No "caminho do tatu" (significado do nome, em tupi) percorre-se uma parte importante da história de São Paulo, pontuada por palavras-chave do tipo viticultura, olaria, imóveis, shoppings. A trajetória "oficial" da região começa entre 1550 e 1560. Enquanto os jesuítas habitavam apenas o centro, na região do Pátio do Colégio, Brás Cubas, fundador de Santos, subiu a serra e encontrou o ribeirão Tatu-apé e ali se instalou. 

Nos anos seguintes, investiu-se na plantação de uva e na produção de vinhos. A constituição das vilas operárias viria no início do século XX, com a industrialização. Naquele tempo, as olarias transportavam sua produção pelo rio Tietê. 

O Tatuapé integra a subprefeitura da Mooca. É uma espécie de capital da zona leste, predominantemente residencial, onde a expectativa de vida é de 80 anos. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) é considerado muito alto (0,938), em termos de renda, longevidade e educação. É uma das melhores regiões para viver, atualmente, na cidade. 

A maneira mais fácil de chegar ao bairro para conhecer seus predicados é usar as estações Tatuapé (trem ou metrô, linha 3, vermelha) e Carrão (metrô, linha 3, vermelha). 

Comes e bebes

Pães, bolos e doces: em funcionamento desde 1913, a centenária Padaria Lisboa (Praça Sílvio Romero, 112) é patrimônio de alimentação e testemunha histórica do bairro. Um dos carros-chefes da casa é a empadinha. Mais de 500 unidades são vendidas por dia, bem quentinhas, com recheio úmido e cremoso: uma mistura de palmito, molho de tomate, ervilha e azeitona. Há uma filial da Di Cunto, original da Mooca, no número 87 da Padre Estevão Pernet. Na função desde o café da manhã e até o jantar, a Condimento (R. Itapura, 1400) opera em uma casinha toda delicada, com um salão enfeitado e paredes floridas. Os bolos e tortas, sua atração principal, ficam expostos sobre uma mesa e não em vitrines ou balcões. 

Há ainda uma série de endereços temáticos. A Dicunhada (R. Emílio Mallet, 494) oferece mais de sessenta tipos de brigadeiro. Na Bendito Quindim (R. Demétrio Ribeiro, 605), a especialidade é o tradicional doce português amarelinho, à base de coco e gema de ovos, que se apresenta em outras quatorze variações, a exemplo de maracujá, café, pistache, morango e chocolate. Na Marco Polo Gelateria e Caffé (Largo Nossa Senhora do Bom Parto, 57), quem quiser ainda pode pedir o expresso para arrematar a merenda depois de uma porção de sorvete cremoso à moda italiana. Lojinhas da Tradicional Bolos Caseiros (R. Azevedo Soares, nº 1779) e da Casa de Bolos (R. Tijuco Preto, 148) desempenham bem o estilo caseiro, sem recheio ou cobertura melada - receitas de milho, laranja, limão, iogurte, "de nada" ou cenoura, por exemplo, são as pedidas para saborear, em casa, na companhia de uma xícara de café coado. 

Restaurantes: representante da enorme rede cearense, o Coco Bambu fica no número 2150 da Rua Azevedo Soares e segue o padrão de fartas e cremosas refeições à base de frutos do mar, em especial o camarão. No tradicional Bacalhoeiro (R. Azevedo Soares, 1580), a cozinha do chefe Francisco Everaldo da Silva expede para o salão de ambiente familiar especialidades à base do pescado salgado, além de arroz de polvo e outras delícias da culinária portuguesa. Bom para ir com crianças. Se o apetite é por carnes, Bracia Parrilla (R. Azevedo Soares, 1008) e Família Yannelli Parrilla (R. Itapura, 1535) preparam tradicionais cortes argentinos. Faz um tremendo sucesso no bairro o italianinho La Pergoletta (R. Itapura, 1478). Tem função de massas macias e outros pratos de trattoria e cantina, à la carte e para viagem - a concorrida rotisserie ocupa o salão vizinho. 

Bares: para petiscar na companhia de uma cerveja gelada, o bolinho de berinjela do Bar do Berinjela (Praça Vinte de Janeiro, 67) venceu o concurso Comida di Buteco 2013. É recheado de linguiça refogada e parmesão em cubos. Em 2015, o escondidinho ficou em segundo lugar. Ao estilo irlandês, o pub St. John's (R. Itapura, 1308) tem rock e/ou blues ao vivo, às sextas e sábados. O Jordão (R. Apucarana, 1452) tem esse nome em homenagem a José Annunciato Jordão, o homem que teria inventado os "três dedos de espuma" no chope. Contraponto ao clima rústico, iPads funcionam como cardápio. 

Cultura, história e lazer

Acadêmicos do Tatuapé (R. Melo Peixoto, 1513): escola de samba fundada em 1952, como Unidos de Vila Isabel. Em 1964, com a mudança de endereço, ganhou o nome atual. Os ensaios para o Carnaval 2016 ocorrem às quintas e aos sábados, a partir das 21h. Não-sócios pagam R$ 10,00. Última escola a desfilar na sexta, 5 de fevereiro, a Acadêmicos do Tatuapé terá como tema "É ela, a Deusa da Passarela. Olha a Beija-Flor aí gente!". 

Biblioteca Hans Christian Andersen (Av. Celso Garcia, 4142): inaugurada em 9 de julho de 1952, como Biblioteca Infantil do Tatuapé, é inteiramente voltada aos contos de fada. Funciona de segunda a sexta, das 8h às 17h. Aos sábados, das 9h às 16h.

Biblioteca Cassiano Ricardo (Av. Celso Garcia, 4200): dedicada especialmente à música, conta com acervo impresso e sonoro. Também tem como data de inauguração o dia 9 de julho de 1952. Funciona de segunda a sexta, das 8h15 às 17h. Aos sábados, fecha às 13h.

Casa do Regente Feijó: a casa de taipa-de-pilão em que Diogo Antônio Feijó (1784-1843) viveu por mais de dez anos não tem endereço oficial e está escondida atrás de prédios novos e bacanas. Tombada pelo Condephaat e pelo Conpresp, pertenceu ao sacerdote e deputado, regente do Império, e também à educadora Anália Franco (1853-1919). Exemplo de arquitetura bandeirista e representante da "São Paulo de barro", o prédio passou por diversas modificações e até ganhou um segundo andar, que não existia no projeto original. Pertence atualmente a um grupo empresarial que "inventou" o bairro de classe média-alta Jardim Anália Franco, que compreende parte do Tatuapé, da Vila Formosa e da Água Rasa. Não está aberta para visitação.

Casa do Tatuapé (R. Guajibú, 49): de responsabilidade do Museu da Cidade de São Paulo, a Casa do Sítio Tatuapé foi construída no século XVII, a pedido do padre Matheus Nunes de Siqueira, então dono do terreno. É outro dos poucos exemplares da arquitetura do período bandeirista. Funcionou por 150 anos como moradia, abrigando tropeiros que percorriam o País. Também foi olaria de telhas e tijolos e tecelagem. O último morador foi Elias Quartim de Albuquerque, que residiu ali desde 1877 até 1943. O lugar foi desapropriado pela prefeitura em 1979, aberto ao público dois anos depois. Hoje funciona como museu e centro cultural, de terça a domingo, das 9h às 17h. Grátis. Clique para ver a galeria de fotos.

Paróquia Nossa Senhora do Bom Parto (R. Serra do Japi, 1172): começou a ser erguida em 1958. Antes, ficava no largo homônimo e era uma edificação de 1925. O crucifixo atrás do altar principal foi feito em um único tronco pelo artista Nelson D'Orazio. Há também pinturas do espanhol José Perez. Está aberta todos os dias desde as 7h e até o horário da última missa.

Parque Esportivo dos Trabalhadores (R. Canuto de Abreu, s/nº): com 286 mil metros quadrados, funciona no lugar do antigo Centro Esportivo, Recreativo e Educativo do Trabalhador (Ceret). Além da extensa área verde, com árvores como jambeiro, pau-ferro e sibipiruna, tem quadras de tênis (duas, de saibro), campo de rugby, quatro piscinas e até mesmo um "pipódromo".

Parque Piqueri (R. Tuiuti, 515):  antiga Chácara do Piqueri, tem campos de futebol e um bonito lago de patos. Foi fundado em 1976, quando o terreno foi incorporado pela municipalidade. O nome é uma referência aos índios que habitavam o local.

Praça Sílvio Romero: passeio público inaugurado na gestão Jânio Quadros, década de 50. Antes, já era um ponto de encontro ao redor da capela Nossa Senhora da Conceição (a atual paróquia conserva apenas a imagem e os sinos da entrada do prédio original, do século XIX). Hoje em dia a praça ainda é bastante frequentada. As diversas árvores frutíferas fazem sombra para os jogos de dominó, damas e baralho que reúnem velhos amigos. Tem wi-fi liberado pela prefeitura.  

Compras

O Shopping Anália Franco (Av. Regente Feijó, 1739) fica na parte mais nobre do bairro. Tem 400 lojas, nove salas de cinema e cinquenta restaurantes. Anexos um ao outro e interligados ao metrô, os shoppings Metrô Tatuapé e Metrô Boulevard Tatuapé (ambos na Radial Leste, s/n) formam um complexo que ultrapassa 500 lojas. Não perde a viagem quem estiver disposto a comprar longe das temperaturas amenas proporcionadas pelo ar condicionado: o comércio de rua resiste soberano na Rua Tuiuti, que reúne tem movimentação intensa de pedestres atrás de lojas populares e chiques, bares e restaurantes. O Tatuapé Outlet está no número 2636. 


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