Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

O que fazer no Jardim Paulista

Um dos bairros mais ricos e congestionados da cidade mistura residências e comércio com vida cultural movimentada, passeios ao ar livre e bons lugares para comer e beber

O Estado de S. Paulo

01 de setembro de 2015 | 17h24

Os bairros da região dos Jardins, como conhecemos hoje, nasceram no começo do século XX,  a partir de um revolucionário projeto urbanístico e arquitetônico de moradia da Cia. City, como é conhecida a mais antiga empresa urbanística em funcionamento em São Paulo. O primeiro foi o Jardim América. Europa, Paulistano e Paulista (o mais próximo ao espigão da Paulista) vieram depois.

Com cerca de 80 mil habitantes e o terceiro maior rendimento médio mensal entre os bairros da capital (R$ 6.647,48 por pessoa, segundo IBGE, em 2013), o Jardim Paulista ocupa atualmente pouco mais de 6 quilômetros quadrados. Em seus quarteirões arborizados, há casas na parte mais baixa, muitos apartamentos subindo na direção da avenida Paulista e algumas das lojas e restaurantes, bares e hotéis mais importantes de São Paulo. 

Quem está lá dificilmente quer sair. Quem não está tenta dar uma passadinha. O Jardim Paulista tem comércio popular e de luxo. Moradores de rua e de mansões. Prédios mais antigos, condomínios supernovos e de apartamentos enormes. Muitas árvores. Trânsito enroscado em vários pontos e tranquilo em outros. Ruas planas e ladeiras, Fios aparentes e enterrados. Muitas calçadas irregulares desafiam o salto alto, a sandália do turista, as cadeiras de roda e os carrinhos de bebê. Outras, reformadas, sustentam confortáveis bancos. Há vagas superconcorridas para quem tem cartão Zona Azul. Garagens particulares igualmente disputadas. 

A seguir, um pouco do privilegiado recorte da cidade que fica entre a Avenida Paulista e o Parque do Ibirapuera (e às vezes se confunde com Cerqueira Cesar e Consolação).

Comes e Bebes

Restaurantes, lanchonetes, padarias: dos pães orgânicos da PÃO, na Bela Cintra, ao menu do estrelado D.O.M., passando pelos beirutinhos do Frevo, a coxinha na Crystal, a loja de hambúrgueres da Z-Deli e os sumarentos medalhões à Oswaldo Aranha do Lellis da Alameda Campinas, é praticamente impossível não pensar no Jardim Paulista (e arredores) na hora de escolher um lugar bom para comer em São Paulo, a qualquer hora. 

E na tentativa de listar, em ordem alfabética, alguns dos melhores restaurantes, as linhas de texto se multiplicam: Amadeus, Aizomê e Arábia. Brasil a Gosto. Dalva e Dito e D.O.M.. A Figueira Rubaiyat e Fasano. Gero, Le Jazz, Le Vin, Osteria del Petirrosso, Piselli e Ritz. Tordesilhas, Taormina e Tappo Trattoria. Isso para falar dos mais incensados. 

No vaivém de pedestres e de SUVs e carros mais (ou menos) populares confiados a manobristas, porém, são prestigiados também outros tantos endereços. Injusto seria esgotar o assunto aqui. Dependendo do horário e do jeitão da casa, é preciso riscar o chão para conseguir uma mesa. Mas, passado o desafio de saber qual boa refeição cabe em seu bolso – e qual fila na porta é pura enganação –, não é difícil encontrar um bom lugar.

Bares e baladas: a “prainha paulista”, como é conhecido o primeiro quarteirão da Alameda Joaquim Eugênio de Lima, é recheada de bares de clima bastante informal, a exemplo Asterix, que tem enorme e interessante carta de cervejas. Para ver São Paulo de cima, o The View, no 30º andar do Flat Transamérica, tem uma boa carta de vinhos e drinques. Do Skye, no Unique, a vista também é linda - trata-se de um misto de restaurante, bar e balada. 

Representam bem a categoria pub: O'Malley's (Al. Itu), e suas receitas de inspiração irlandesa; Jet Lag Pub (no fim da Consolação), e seus fish and chips, chope Guinness e garçons vestidos de tripulação de aeronave; e All Black (Oscar Freire). 

E depois do cinema e do teatro ou na saída do trabalho, desde o início noite, a esquina da Doutor Melo Alves com a Tietê e as curvas sinuosas do Bar Balcão há mais de duas décadas recebem sem distinção casais, grupos de amigos e quem gosta de ficar sozinho. 

No quesito baladas, o Bar Blá, na Brigadeiro Luiz Antônio, tem clima de festinha embalada em rock, MPB e pagode. Consulte a programação. A Ballroom atrai playboys e patricinhas e espanta quem não tem nada a ver com isso. Fica no fim da Augusta com a Estados Unidos e toca música eletrônica. 

Compras

Empórios, mercados, lojas de vinho: no número 1417 da Alameda Lorena, a Casa Santa Luzia é um dos melhores e mais completos mercados de comidas especiais da cidade. As prateleiras são forradas de produtos nacionais e importados de qualidade. Hortifrúti, pães, frios, embutidos, queijos, carnes e vinhos, balcão de rotisserie. Para comprar tintos, brancos e espumantes, há as lojas das importadoras Vinci (Pamplona), World Wine (Padre João Manoel) e Gran Cru (Bela Cintra).

Comércio de rua: a matriz das compras no bairro é formada por duas ruas, a Oscar Freire, conhecida sobretudo pelas lojas de roupa de grifes nacionais e estrangeiras, e a Augusta, que tem estabelecimentos mais populares e referências descoladas, como a Galeria Ouro Fino. Desses troncos principais ramificam-se ruas que levam a blocos especializados em decoração e design, vilas com lojinhas de estilistas brasileiras (os), pontas de estoque e grandes do varejo. Ninguém precisa ir ao shopping se quiser comprar por aqui. 

Passeios culturais e atividades ao ar livre

Museu de Arte de São Paulo (Masp) (Av. Paulista, 1578): é o museu mais importante da América Latina e costuma receber algumas das exposições mais concorridas da cidade. O acervo de 8 000 peças vai de 4 a.C. aos dias atuais e tem obras de artistas como Botticelli, Van Gogh, Matisse, Picasso, Cândido Portinari e Di Cavalcanti.

Museu Brasileiro da Escultura (MuBE) (Av. Europa, 218): tecnicamente, fica no Jardim Europa, mas é pertinho de alcançar de qualquer um dos “jardins”. Em seu acervo, além das esculturas propriamente ditas, pinturas, fotografias, grafites, desenhos, músicas e filmes. Um dos destaques são os jardins projetados por Burle Marx.

Museu da Imagem e Som (MIS) (Avenida Europa, 158): próximo ao MuBE, tem se destacado pelas exposições que atraem multidões como sobre o cineasta Stalney Kubrick e do programa infantil da TV Cultura, Castelo Rá-tim-bum. Inaugurado em 1970, seu acervo permanente conta com filmes, fotos, cartazes entre outras peças de áudio, visuais e audiovisuais.  

Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2073): considerado o primeiro shopping da América Latina, foi inaugurado em 1958 e é um símbolo da região. Ficam lá, hoje a Livraria Cultura com seu cinema e o teatro Eva Hertz.

Livraria Cultura (Conjunto Nacional) e Livraria da Vila (Al. Lorena): grandes, tradicionais e importantes livrarias. Lugares bons de ficar para ler, tomar café e escapar na correria.

Cinesesc (R. Augusta, 2075): cinema charmoso, com bar envidraçado dentro da sala de exibição e programação fora do lugar comum.

Igreja Nossa Senhora do Brasil: é a mais procurada de São Paulo para casamentos, muitas vezes precisando de anos para conseguir um final de semana disponível para a cerimônia. Fundada em 1940, está aberta diariamente, com horário variável dependendo das missas. Para outras informações, a secretaria da paróquia funciona em dias úteis, das 8h30 às 19h,e aos sábados, das 8h30 às 14h.

Casa de Francisca (R. José Maria Lisboa, 190): ocupa um sobrado de 1913 e é, provavelmente, a menor casa de shows paulistana, com pouco mais de quarenta lugares. É fundamental fazer reservas para garantir um lugar ao show intimista de nomes como Arrigo Barnabé Trio e Livia e Arthur Nestrovski. 

Parque Trianon: uma área verde de quase 50 000 metros quadrados inaugurada em 1892 e que guarda uma reserva de Mata Atlântica em seu interior.

Parque do Ibirapuera:  de bicicleta, desde a ciclovia, é um instantinho. Ultrapassando os extremos do Jardim Paulista, se chega ao parque mais querido e movimentado da cidade. Com projetos de Oscar Niemeyer e Burle Marx, ele existe desde os anos 1950. 

Veja também, ao longo da avenida Paulista e na intersecção com outros bairros: ciclovia, Itaú Cultural, Teatro do Sesi, Casa das Rosas (exposições e poesia), Reserva Cultural (cinemas). 

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