Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

O que fazer no Ipiranga

Museu a céu aberto, o bairro tem boa gastronomia e agradáveis programas ao ar livre

O Estado de S. Paulo

25 de agosto de 2015 | 15h02

"Ouviram do Ipiranga as margens plácidas". O córrego citado no primeiro refrão do hino nacional tem o mesmo nome do bairro onde a independência do Brasil foi proclamada por D. Pedro I, em 7 de setembro de 1822. A palavra vem do tupi e significa "rio vermelho", em referência às águas barrentas. Porção industrial no começo do século passado, quando as indústrias da família Jafet dominavam o baixo e as mansões enfeitavam a parte alta, hoje o Ipiranga é uma mistura de prédios antigos e novos servidos por escolas, restaurantes, bares e lanchonetes tradicionais e um comércio estruturado. 

A verticalização descaracterizou o bairro em algumas partes, é verdade. E se uma parcela da população é de classe média ou média alta, outra vive em áreas bem mais pobres. Mais de 100 000 pessoas moram hoje no distrito que, além do Ipiranga, inclui sete bairros (Alto do Ipiranga, Dom Pedro I, Vila Carioca, Vila Eulália, Vila Independência, Vila Monumento e Vila São José) - não confundir com a subprefeitura, que reúne Sacomã e Cursino e passou dos 500 000 moradores. Com duas estações de metrô próximas (Alto do Ipiranga e Sacomã), é possível chegar ainda utilizando o Expresso Tiradentes, via de ônibus que liga o Parque Dom Pedro II ao Sacomã e à Vila Prudente.

Veja a seguir um perfil do bairro, traçado a partir de algumas de suas principais atrações.

Comes e bebes

Restaurantes: muito além das disputadas paellas do tradicional Los Molinos (R. Vasconcelos Drumond, 526), na Vila Monumento, e do Paellas Pepe (R. Bom Pastor, 1660), o roteiro gastronômico do Ipiranga foi reforçado nos últimos anos pelos negócios do delegado Osvaldo Nico Gonçalves, o Nico. É dele a pizzaria Sala Vip, que tem vários endereços na cidade e longas filas de espera nas noites de sábado, sobretudo no ponto original, o número 195 da rua Cisplatina. Completam o portfólio o italiano Nico Pasta & Basta (R. Costa Aguiar, 1586), o Bar do Nico (R. Moreira e Costa, 538) e a Nico Hamburgueria (R. Cisplatina, 31).

Lanchonetes: o hambúrguer mais famoso, a propósito, é o do Seu Oswaldo (R. Bom Pastor, 1657). A combinação de bife fininho, molho de tomate delicioso e maionese caseira atrai glutões de toda a cidade em busca de um (em geral dois) x-salada. A casa não aceita cartões nem serve batata frita, regras do fundador. Seu Oswaldo morreu em 2008 e hoje o empreendimento é tocado por sua filha e pelos funcionários. Na madrugada, o Kaskata's Lanches (R. Silva Bueno, 1641) é reduto de baladeiros.

Bares: região é recheada de bares de especialidades e preços variados. O Boteco São Jorge (R. Cipriano Barata, 1913) atrai o público durante toda a semana com seu chope gelado e as porções típicas de botequim. O Venezas (R. Brigadeiro Jordão, 294) e o Bar do Magrão (R. Agostinho Gomes, 2988) são conhecidos pelas bem montadas cartas de cerveja. É esse tipo de bebida que também costuma escoltar os pratos e as porções de frutos do mar do Baixo Gávea (Rua Costa Aguiar, 1431). Em frente ao colégio São Francisco, turmas de amigos, famílias e casais se encontram para saborear os espetinhos do Bar do Dodô (R. Moreira e Costa, 515). 

Padarias: na seleção de padarias destacam-se a Patriopan (R. dos Patriotas, 681), que também tem bom almoço por quilo e gostosas pizzas, e a Big Bread (R. Brigadeiro Jordão, 490). Ela fica em frente à igreja de São José e é famosa pela zeppola, uma rosca italiana típica feita todo dia 19 de cada mês. Os produtos da Levain, escola e fábrica de pães do especialista Rogerio Shimura, abastecem vários estabelecimentos da cidade e, sob consulta, podem ser comprados direto na oficina (R. Dom Lucas Obes, 494).

Compras

A rua mais famosa para compras é a Silva Bueno, que atravessa o bairro inteiro com seu comércio popular. No número 2109 fica o Mercado Municipal do Ipiranga. Inaugurado em 1940 na Bom Pastor, mudou-se em 1949 para o atual endereço com seus hortifrúti, açougues, peixarias e empórios. De quebra os visitantes podem provar um delicioso lanche de mortadela.

 

As lojas bacanas da Costa Aguiar e da Agostinho Gomes são uma alternativa aos corredores fechados dos shoppings Central Plaza (Av. Dr. Francisco Mesquita, 1000) e Plaza Sul (Praça Leonor Kaupa, 100). No encontro do Ipiranga com a Mooca e a Vila Prudente, fica o Shopping Mooca (R. Cap. Pacheco e Chaves, 313).

Passeios e atividades ao ar livre

Parque da Independência (Av. Nazaré, s/nº): conta com uma área de 21.188 metros quadrados, dividido pela rua dos Patriotas. Na parte de cima, fica o Museu do Ipiranga (Museu Paulista) e seus jardins franceses inspirados no palácio de Versalhes. Tem pista cooper e aparelhos para exercícios. Durante o passeio não é raro cruzar com simpáticos saguis correndo entre as árvores. Na parte de baixo do parque estão o Monumento à Independência (Altar da Pátria), que guarda o túmulo do imperador D. Pedro I, e a Casa do Grito, uma pequena construção às margens do córrego do Ipiranga e que supostamente já existiria em 1822. A rampa de 22 metros que liga os jardins do museu ao Altar da Pátria é um dos espaços prediletos dos skatistas.

Mansões: para ver antigas mansões da família Jafet, vale caminhar pelas ruas Bom Pastor e Costa Aguiar. As mais famosas são o Palácio dos Cedros (R. Bom Pastor, 800), usada em festas e filmagens de época, e o palacete rosa (esquina da Bom Pastor com a Patriotas), que hoje pertence ao médium Luiz Antonio Gasparetto.

Espaços culturais

Museu Paulista (Parque da Independência): inaugurado em 7 de setembro de 1895, o Museu Paulista é o principal ponto histórico do bairro e guarda a pintura de "Independência ou Morte", de Pedro América. Fechado para uma grande reforma, só deve ser reaberto em 2022, no bicentenário da independência. Veja, neste link, informações sobre a restauração e a transferência temporária dos acervos para outros prédios.  

Museu de Zoologia da USP (Av. Nazaré, 481): também está sendo reformado e não tem previsão para reabertura. 

Aquário de São Paulo (R. Huet Bacelar, 407): não perde a viagem, porém, que recalcula a rota e vai visitar o onde vivem diversos animais, como peixe-boi da Amazônia, jacaré do Pantanal, tubarão, urso polar, leão marinho e canguru.

Exposição permanente no metrô: quem chega ao bairro pelo metrô Alto do Ipiranga (Rua Dr. Gentil de Moura, esquina com a Visconde de Pirajá), pode conhecer a exposição permanente que conta a história do bairro. Fica depois das catracas e vai das escadas rolantes até a plataforma. 

Sesc Ipiranga (R. Bom Pastor, 822): a principal referência de programação cultural, para teatro, shows e exposições, é o Sesc Ipiranga, que conta ainda com ludoteca e biblioteca gratuitas. 

Igreja São José (R. Brigadeiro Jordão, 560): fundada em 25 de dezembro de 1920, pertence à Congregação dos Religiosos de Nossa Senhora do Sion. É famosa pelas quermesses e pela festa de São José, que ocorre dia 19 de março e tem como principal atração o tradicional bolo preparado pelos frequentadores da paróquia.

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