DARIO OLIVEIRA
DARIO OLIVEIRA

O que fazer no Brás

Alguns dos bons motivos para visitar o bairro são a pizza da Castelões, o comércio popular e o ótimo museu Catavento

O Estado de S. Paulo

24 de agosto de 2015 | 16h41

Na região central de São Paulo, o Brás tem sua origem, desenvolvimento e memória afetiva ligados aos imigrantes, ao barulho da ferrovia e à atmosfera industrial empoeirada. O português José Brás, dono de uma chácara na região, construiu, ainda no século XVIII, a igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em torno da qual o bairro cresceria. Depois vieram os trilhos e as fábricas e o Brás tornou-se reduto de estrangeiros, sobretudo italianos, que chegavam ao Brasil para trabalhar nas lavouras de café. Os que não tinham perfil camponês, ou não queriam se sujeitar ao esquema quase escravo de algumas fazendas do interior, acabavam escolhendo viver aqui em casinhas e cortiços. A partir da década de 40, foram recebidos os nordestinos, fugindo da seca. Com pouco mais de 30 000 habitantes, o Brás é um bairro popular e bastante conhecido pelas ruas de compras, alcançadas de carro ou ônibus pelas avenidas Rangel Pestana e Celso Garcia. A Estação Brás integra trem e metropolitano.

Conheça abaixo algumas de suas principais atrações e pontos históricos.

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Comes e bebes

Castelões (R. Jairo Goes, 126): tida por muitos como a melhor pizzaria da cidade, a Cantina Castelões teria sido fundada em 1924. Massas frescas e pizzas caprichadas atraem uma clientela fiel formada tanto por gente da vizinhança quanto pelos que se abalam até de muito longe. Conta-se que a expressão “terminou tudo em pizza” nasceu nesse salão, da desavença entre dirigentes do Palmeiras depois de um jogo.

Cantina Gigio (R. do Gasômetro, 254): nos almoços de domingo, cada mesa da Gigio acaba se tornando um ruidoso ponto de encontro familiar. Da cozinha saem pratos muito fartos e de molhos abundantes e a sugestão é compartilhar a macarronada e suas variações.

Cantina do Marinheiro (Av. Alcântara Machado, 552): como o nome sugere, prioriza receitas com pescados e massas.

Casa Líbano (R. Barão de Ladário, 831): oferece uma variedade de especialidades árabes no lanche rápido e também ao estilo banquete, para comer sem pressa receitas do tipo charutinho de folha de uva, quibe cru, esfiha e faláfel, entre outras pedidas à la carte e em sistema de rodízio.

Compras

Impossível falar do Brás e não lembrar do comércio de atacado e das ruas especializadas. Calçados, na Cavalheiro; vestidos de noiva e roupas de festa, na São Caetano; na rua do Gasômetro, objetos de decoração; há produtos do norte e do nordeste na Paulo Afonso. Para roupas e acessórios, tente a Miller, a Oriente e a Barão de Ladário (entre outras). O Shopping Total Brás (Rua João Teodoro, 1200) reúne 180 lojas e quartos de hotel, no mesmo endereço. Para vinhos, ingredientes especiais de culinária e itens para a cozinha, dê uma olhada nas prateleiras da tradicional Casa Flora Importadora (R. Santa Rosa, 197).

Passeios culturais, históricos e ao ar livre

Largo da Concórdia: proporciona um pouco de história, comércio e sombra a quem passa por ali. Suas calçadas ficam abarrotadas de ambulantes, mas é possível descansar um pouco nos banquinhos. No início do século XIX, o local era conhecido como Praça do Brás, a única do bairro naquela época. Em frente, ficava o Teatro Colombo, inaugurado em 1908 e destruído por um incêndio na década de 60. O Largo também abriga o Monumento ao Migrante Nordestino, homenagem aos milhares de nordestinos que começaram a chegar a São Paulo em 1940 em busca de melhores condições de vida.

Museu da Imigração (R. Visconde de Parnaíba, 1316): no prédio da antiga Hospedaria de Imigrantes, que recebeu 2,5 milhões de estrangeiros entre 1887 e 1978, estão expostas relíquias de um passado lastreado pelo café e pela indústria paulista, além de um rico acervo digital com jornais, cartografias e registros de matrículas de pessoas que passaram por ali.

Catavento Cultural e Educacional (Av. Mercúrio-Pq. Dom Pedro II): dos museus estaduais, é o mais visitado da cidade. Entre viagens pelo corpo humano e o universo, coleções de borboletas e aquários, há laboratórios de química e física que literalmente deixam os visitantes de cabelo em pé. Das centenas de atrações, boa parte é bastante lúdica e interativa. Ocupa o prédio conhecido como Palácio das Indústrias, antiga sede da prefeitura (Praça Cívica Ulisses Guimarães). Imperdível.

Igreja Bom Jesus do Brás (Av. Rangel Pestana, 1421): a principal igreja do bairro está  relacionada com seu surgimento. O prédio não é o mesmo da Bom Jesus do Matosinhos, erguido a pedido de José Brás, no século XVIII, mas foi construído para substituí-lo, em 1903.

Paróquia São Vito (R. Polignano a Mare, 51): fundada por imigrantes italianos em 1940. Existem apenas três igrejas no mundo dedicadas ao santo: uma em Praga (República Tcheca), outra em Polignano a Mare (Itália) e essa, no Brás. O culto a São Vito motiva, uma vez por ano, a festa de rua de São Vito Mártir, considerada uma das mais tradicionais a da comunidade italiana no Brasil. As comemorações são realizadas entre maio e julho.

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