Marcio Fernandes/Estadão
Marcio Fernandes/Estadão

O que fazer no Belém

Prédios antigos e restaurantes ajudam a contar a história do bairro

O Estado de S. Paulo

09 Novembro 2015 | 19h03

O Belém é distrito e bairro que já passou por várias metamorfoses. Surgiu com o nome de Belezinho, no fim do século XIX, porque seus primeiros moradores seriam devotos de São José do Belém. Mas como o letreiro do bonde não comportava o diminutivo, acabou virando Belém - o Belenzinho ainda existe e faz parte do distrito.

A região toda começou rural, com chácaras e casarões. O Belém, em especial, era uma estância climática, em virtude da altitude e do clima favorável. Depois, no início do século XX, o período industrial trouxe os imigrantes, as fábricas de vidro e tecelagens próximas dos trilhos, as vilas operárias e, durante a ditadura do Estado Novo, até uma prisão de presos políticos. Parte dessa história ainda pode ser vista em prédios antigos. 

Os velhos galpões fabris estão abandonados ou deram lugar a empreendimentos imobiliários. No lugar do Moinho Santista, por exemplo, uma das maiores fábricas do Belém e que chegou a ter 4 000 funcionários e a operar sem intervalo, 24 horas por dia, hoje funciona o Sesc Belenzinho.

Cerca de 50 mil pessoas vivem na região, que é predominantemente residencial. Tem facilidade para chegar ao bairro quem quiser conhecer marcos históricos como a vila operária Maria Zélia, construída pelo industrial Jorge Street em 1911, ou aproveitar o complexo cultural e esportivo do Sesc. O acesso é feito por importantes vias, a exemplo de Radial Leste e marginal Tietê, ou pelas estações de metrô (Bresser e Belém) e de trem (Brás). 

Comes e bebes

Cereja (R. Siqueira Bueno, 2325): está em funcionamento há quase meio século, quando o descendente de italianos e portugueses Oswaldo Cereja fundou a casa. É famoso pelo bacalhau.

Boi Preto (R. Catumbi, 1393), Boizão Grill (Rua Pedro Vaz de Campos, 33) e a Villas's (Av.  Guilherme, 33): as três fazem parte de uma espécie de circuito de churrascarias nas proximidades da Marginal Tietê. 

Padaria Belga (Largo São José do Belém, 105): aberta em 1932, virou patrimônio do bairro.

Faronella (R. Herval, 586): pizzaria tradicional. 

Formiga (Largo São José do Belém, 177): restaurante de comida variada e ambiente familiar.

Boutique Vintage Brechó Bar (R. Padre Adelino, 949): mistura de brechó, bar com boa carta de cervejas e espaço para ouvir jazz.

Passeios culturais e ao ar livre

Capela de Santo Antônio (R. Cachoeira, 413): a capelinha conserva as tradições relacionadas ao dia do santo padroeiro (13 de junho), como a distribuição de pãezinhos bentos e a venda do bolo de Santo Antônio. Os fiéis acreditam que quem encontrar uma medalha em sua fatia casará em breve.

Paróquia São José de Belém (Largo São José do Belém, S/N): a centenária igreja é parte fundamental nas mudanças que o Belém passou no século XX. Fundada em 15 de agosto de 1897, era uma pequena capela. Em seu entorno as chácaras deram lugar às fábricas e às residências dos operários. Realiza três grandes festas: o dia de São José, em 19 de março, quando chega a receber 20 mil fiéis, o aniversário do bairro, em 30 de junho, e, em agosto, as comemorações da fundação da igreja.

Parque Estadual do Belém (Av. Celso Garcia, 2231): inaugurado em 2012, o parque ocupa 210 mil metros quadrados em uma área que pertencia à antiga Febem de São Paulo. No edifício onde funcionava a detenção, foi construída a Fábrica de Cultura, um espaço dedicado à arte e à educação, que oferece cursos e espaços para apresentações. Além disso, há quadras poliesportivas, quiosques de alimentação, ciclovia e parquinhos infantis.

Sesc Belenzinho (R. Padre Adelino, 1000): o prédio projetado pelo arquiteto Ricardo Chahin no terreno antes ocupado pelo Moinho Santista, é o principal centro cultural e esportivo da região. Além da biblioteca e do teatro, tem seis piscinas, que ficam lotadas no calor, mais pista de corrida e quadra de futebol. É uma das maiores unidades do Sesc na cidade, com 50 mil metros quadrados.

Vila Maria Zélia (R. dos Prazeres, 362): é praticamente um museu. A primeira vila operária do Brasil, construída entre 1911 e 1916 e inaugurada em 1917 pelo empresário Jorge Street, ainda conserva alguns de seus prédios originais, como a Escola das Meninas e o antigo boticário. Nele está instalado o Armazém da Memória (exposição de objetos antigos que pertenceram aos trabalhadores da Companhia Nacional de Tecidos de Juta). O grupo XIX de teatro mantém na vila o projeto Armazém 19, que realiza espetáculos nos antigos espaços (para mais informações, confira a agenda do grupo).

Compras

O grande shopping mais próximo do Belém é o Shopping Metrô Tatuapé. Outra opção é se dirigir até o vizinho Brás, onde dezenas de ruas comerciais vendem de "um tudo", de vestidos de noiva a artigos nordestinos. Saiba tudo sobre o Brás, neste link.

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