Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

O que fazer na Vila Leopoldina

Bibliotecas, parques, as flores da Ceagesp e os bons restaurantes estão entre as principais atrações do bairro

O Estado de S. Paulo

28 de setembro de 2015 | 19h15

De fácil acesso às marginais Pinheiros e Tietê, colada ao Parque Villa-Lobos e casa (ao menos por enquanto) da Ceagesp, a Vila Leopoldina é um bairro que, repaginado, vai ficando cada vez mais atraente. Nos últimos dez anos, os moradores testemunharam uma brutal transformação na paisagem. Se antes sobravam galpões industriais, agora predominam novos condomínios. Prédios modernos são entregues, outros são erguidos - e ali ainda há espaço, diferente do "excesso de lotação" de outras localidades.

O bairro também virou polo de produções audiovisuais, atraindo muitos estúdios cinematográficos. Desde 2012, quando entrou em vigor a lei que estabelece uma cota de produções nacionais nos canais de TV a cabo, os amplos espaços e galpões com preços baixos da Vila Leopoldina atraíram muitas produtoras de conteúdo e estúdios de cinema e foto.

Com toda a onda de novos moradores e novas empresas, chegam restaurantes e lojas, que contribuem para a valorização dos imóveis na região, e uma demanda crescente por bons serviços, programas culturais, calçadas inteiras e, claro, soluções para os problemas de alagamento (quando chove forte todo mundo se assusta) e limpeza pública (a sujeira da Ceagesp ajuda a entupir bueiros) e moradia para quem hoje vive nas favelas perto do rio. 

Os mais de 40 000 moradores da Vila Leopoldina são atendidos por quatro estações da CPTM: Imperatriz Leopoldina e Domingos de Moraes (Linha 8-Diamante) e Ceasa e Vila Lobos-Jaguaré (Linha 9-Esmeralda). Pontos e linhas de ônibus cortam o bairro, que está sob administração da subprefeitura da Lapa. 

Comes e Bebes

Restaurantes: em termos de cozinha italiana, a Vila Leopoldina tem dois grandes destaques. No Mangiare Gastromia (Av Imperatriz Leopoldina, 681), misto de restaurante, empório e adega, as refeições em geral começam pelo couvert, em que vale a pena aceitar os pãezinhos de fermentação natural feitos na casa. Depois, no almoço, dá para escolher entre o menu executivo (entrada, principal e sobremesa) ou à la carte. No caso da fórmula mais econômica, a entrada pode ser o mix de alface, tomate e cebola temperado com molho de mostarda e mel, seguida pela costelinha de porco assada na lenha e guarnecida de salada de batata, mostarda e ervas. Para fechar, tem pudim de leite, brigadeiro de colher ou fruta. À la carte, faz sucesso o arroz de pato servido com ovo caipira. Nas noites de quinta a sábado, assa pizzas individuais.

Filial da mais famosa cantina do bairro de Pinheiros, a Nello's Vila Leopoldina (R. Guaipá, 880) existe desde 2011. Fundada há mais de quarenta anos por Nello Roberto de Rossi, morto em 2013, a matriz, bem como a filial, continua nas mãos da família e segue a pauta de receitas simples, gostosas e não muito caras. São massas caseiras frescas simples ou recheadas e de grão duro, molhos típicos bem feitos e uma série de outras especialidades, como o nhoque de rocota de búfala e espinafre, a berinjela à parmegiana, o fígado ao vinho com cebolas e arroz e o risoto de frutos do mar. Faz entregas. 

Na hora do almoço as cadeiras coloridas do charmoso Comedoro (R. Aroaba, 333) estão entre as mais disputadas. O lugar é muito procurado pelo pessoal que trabalha no bairro. Há receitas vegetarianas ou não, sempre com uma pegada sustentável e funcional. Prato feito e menu executivo também são oferecidos todos os dias. Tem picadinho, ravióli de queijo do tipo brie e damasco e filezinho de peixe à dorê, entre outras pedidas. Consulte o cardápio da vez no site.

Para saborear com cafezinho logo cedo ou no meio da tarde, o Vila di Vó oferece apetitosos bolos caseiros. Na hora do almoço, porém, há pratos de comida simples, ao estilo comfort food, como polenta com ragu e macarrão com bracciola, compõem o portfólio do Vila di Vó (Rua Trípoli, 89). As paredes de tijolos aparentes contribuem para o clima rústico e acolhedor. 

Bares: no Boteco Mandinga (R. Carlos Weber, 64), um dos petiscos mais pedidos para acompanhar cerveja em garrafa ou copos de chope é o escondidinho de feijoada gratinado com parmesão. A receita é montada com tiras de calabresa, paio e carne-seca sob camadas de purê de batata e feijão-preto. Tem coxinha de rabada e bolinho de arroz com gorgonzola, entre outras porções. Serve almoço. Nas noites quentes, o Atol Bar (R. Barão da Passagem, 1.460), de atmosfera praiana e uma área aberta virada para a rua, o público recorre ao açaí ou com sanduíche "natural". Um deles é o atum mais queijo branco, alface, cenoura e beterraba.

Lanchonetes: quem preferir um lanche mais substancioso pode recorrer a uma das três unidades do Barello (R. Schilling, 359, e outros dois endereços no mesmo bairro). Tem beirute de rosbife e hambúrguer de picanha entre outras sugestões apetitosas.

Tortas e sorvetes: na Torta Maria (R. Manoel Bolto, 40), as especialidades são as deliciosas tortas, como as de camarão e de alho-poró e queijo branco, vendidas em dois tamanhos. Para fechar, vale um sorvete de tradição: a Damp (R. Bela Nápoles, 29), filial da marca fundada no Ipiranga em 1970, oferece sabores tradicionais e outros menos comuns, como os de queijo do tipo brie com damasco; manjericão com amora e de queijo cuia com melaço de cana e pimenta-rosa. 

Compras

As avenidas Gastão Vidigal e Imperatriz Leopoldina e a Rua Guaipá concentram boa parte do comércio de rua do bairro. Fica na Gastão Vidigal, no número 1946, a Ceagesp. O entreposto movimenta 250 mil toneladas de frutas, legumes, verduras, pescados e flores todos os dias. É a principal central de abastecimento do país, sendo a maior da América Latina e o terceiro centro de comercialização atacadista de perecíveis do mundo, atrás apenas dos de Paris e de Nova York. Uma tradição do local é o festival de sopas, que ocorre todos os anos durante o inverno. A sopa de cebola é uma das mais queridas dos paulistanos.  O Ceagesp, no entanto, deve deixar a Vila Leopoldina em breve. A Prefeitura de São Paulo fechou um acordo com o Governo Federal para levá-lo a uma área próxima ao Rodoanel, liberando seu terreno para a implementação de outras atividades e até um novo parque. A ver.

Em tempo: o Shopping Villa Lobos (Avenida das Nações Unidas, 4777) fica muito (muito mesmo) perto da Vila Leopoldina e atende seu público com o mix variado de lojas que grandes do varejo, como C&A, a Livraria Cultura, cinemas e restaurantes de salão próprio, como o Ráscal, o Almanara e o Outback. 

Passeios culturais e ao ar livre

O Teatro UMC, da Universidade de Mogi das Cruzes (Av. Imperatriz Leopoldina, 550), tem na programação espetáculos de dança, ópera, orquestra, música popular, peças teatrais e shows de música. É imperdível a visita à biblioteca e também ao Orquidário Ruth Cardoso, no Parque Villa Lobos (Av. Professor Fonseca Rodrigues, 2001) - além do parque em si, claro. Em se tratando de diversão ao ar livre e prática esportiva, a mesma recomendação vale para o Clube Escola Lapa (R. Belmonte, 957), o Pelezão, que tem uma mina natural de água reaproveitada para uso nos banheiros do clube, uma brinquedoteca, cinco quadras poliesportivas abertas entre outros espaços para esportes.  O Centro Cultural Sesi Vila Leopoldina (R. Carlos Weber, 835) é um espaço que reúne, entre outras atrações, biblioteca, gibiteca e cineclube, mais áreas ao ar livre com atividades e programações sobre literatura, quadrinhos, artes eletrônicas, artes cênicas, cinema e música.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.