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O que fazer na Mooca

Passear pelo bairro ajuda a conhecer melhor a história econômica e social de São Paulo. E ainda tem pizza boa...

O Estado de S. Paulo

06 de outubro de 2015 | 17h15

Distrito da zona leste de São Paulo, a Mooca é um dos bairros mais tradicionais da cidade. Nasceu ainda no século XVI, quando um grupo de jesuítas chegou à cidade e formou um povoado chamado Arraial do Nicolau Barreto. Naquela época, próximo à várzea do Tamanduateí, apenas alguns índios desfilavam sua pouca roupa. Logo os religiosos começaram as mudanças. Ergueram uma ponte sobre o Rio Tamanduateí e aos poucos modificaram a paisagem. O bairro seguiu rural pelo menos até 1870, quando começaram a chegar imigrantes que vinham se arriscar na lavoura de café. Muitos acabavam ficando em São Paulo atraídos pelo comércio e pela atividade industrial. Recém-chegados, eles escolhiam a Mooca e o vizinho Brás para morar. Os dois ficavam perto das fábricas e dos trilhos e, por causa das cheias do Tamanduateí, seus terrenos alagados eram mais baratos. No século XX, o crescimento da Mooca se acelerou com a chegada dos migrantes nordestinos, principalmente a partir de 1940. Hoje, o bairro conta com cerca de 75 mil habitantes e tem de tudo um pouco. O bairro é atendido por duas estações da Linha 10-Turquesa da CPTM (Mooca e Ipiranga), além da estação Bresser-Mooca, da Linha 3-Vermelha do Metrô. Outras dezenas de pontos de ônibus também percorrem a Mooca. Não faltam nem representantes da culinária cantineira italiana, nem pizzarias. A Mooca também tem uma espécie de dialeto, o ‘mooquense’, tido como um patrimônio imaterial de São Paulo. Entendeu, bello? 

Comes e bebes

Restaurantes: Don Carlini (R. Dona Ana Néri, 265) fica num casarão da década de 1950. A cozinha é focada em uma culinária italiana descomplicada, que passa por massas, risotos, carnes e pescados. O espaguete com camarões é um dos pratos mais tradicionais da casa. A receita leva, além dos crustáceos, pimentões verdes e vermelhos puxados em alho, azeite e salsa. O vitelo à romana, assado em baixa temperatura e guarnecido de talharim ao molho de manteiga, também coleciona admiradores. Quase cinquentona, a pizzaria São Pedro (R. Javari, 1333) está no bairro há 49 anos. O balcão é o mesmo da inauguração, um detalhe que dá um charme especial à casa. Há pizzas individuais e para dividir. São mais de sessenta sabores. Já a Máfia Mia (R. Tamarataca, 221) tem uma proposta um tanto quanto peculiar. Um enorme quadro de o “O Poderoso Chefão” decora uma das paredes. A clientela é atendida por “soldados da máfia”, que transportam os pedidos pelo salão. São 42 tipos de pizza. Na sobremesa, faz sucesso o cannolo ou cannoli (para quem quiser mais de um) – doce típico da Sicília em que canudos de massa frita são recheados de ricota e frutas ou pistache. Completam a lista de pizzarias a Antonietta (R. Guaimbé- 344), a do Ângelo ( R. Sapucáia, 527) e a Bendita Maria (R. dos Trilhos, 1269). Essa última vende por... metro. 

Lachonetes: para quem quiser bater aquele hambúrguer, tem Cadillac (R. Juventus, 296), no Novo Hamburger (R. Ibipetuba, 204) e Road Burger ( R. Ibipetuba, 204). Essa, em ambiente que remete ao Texas, tem um sanduíche chamado royal enfeld. É hambúrguer de calabresa coberto por queijo, cebola frita na chapa e um molho levemente apimentado. Popular, a Esfiha Juventus (R. Visconde de Laguna) continua distribuindo esfiha para os jogadores que fazem gols em partidas do Juventus.

Bares: desde 1959, o Elídio (R. Isabel Dias, 57) recebe os clientes com muita comida e futebol. A casa é decorada com mais de quarente camisas – muitas do Pelé. No cardápio, acepipes de balcão, salgadinhos e porções de canapé de linguiça de Blumenal e de linguiça artesanal frita na hora. Boas pedias são os caldinhos de feijão, de mocotó e de mandioca com carne de sol. 

No Quintal da Mooca (R. Lituânia, 454), cadeiras e mesas de madeira na calçada conferem ao bar um clima rústico e agradável. Elas são mais disputadas no fim do dia, na happy hour. Aqui também a decoração não deixa esquecer o futebol. As paredes são tomadas por quadros antigos de times tradicionais da Mooca. No menu, feijoada, baião de dois, mexido nordestino e carne seca com mandioca flertam com as cervejas. Em salão pequeno, mas gostoso, o Cateto (R. Fernando Falcão-810) propõe combinar comidas e bebidas artesanais. São cervejas, queijos, embutidos e curados de pequenos produtores nacionais. A chamada tábua do lenhador é um mix de panceta, pastrami, lombo curado e picles de pepino, para comer com um molho de sementes de mostarda e mel.

Passeios históricos, cultura e lazer

No prédio da antiga Hospedaria de Imigrantes (R. Visconde de Parnaíba, 1316) fica o Museu da Imigração. No local, que recebeu 2,5 milhões de estrangeiros entre 1887 e 1978, estão expostas relíquias de um passado lastreado pelo café e pela indústria paulista, além de um rico acervo digital com jornais, cartografias e registros de matrículas de pessoas que passaram por ali.

Biblioteca Affonso Taunay (R. Taquari, 549) foi fundada em 1954 e tem um acervo formado por mais de vinte mil exemplares, constituídos por livros didáticos, paradidáticos, dicionários, enciclopédias, jornais, revistas, recortes, mapas etc. Na seção “Memória do Bairro da Mooca” é possível viajar por meio de pôsteres, documentos originais do século XIX, fotos, ferramentas de trabalho, máquinas, moedas e instrumentos musicais que remetem à trajetória do bairro.

Por ser um dos bairros mais antigos de São Paulo, é possível fazer um tour pelos prédios mais antigos da Mooca. Muitos abrigaram fábricas ao longo do século XX, como o Cotonifício Crespi (R. dos Trilhos, Taquari, Visconde de Laguna e Javari). Nesse caso em específico, o prédio hoje é ocupado por uma rede de hipermercados. A fábrica parou de funcionar no começo dos anos de 1960. A Escola Estadual Oswaldo Cruz (R. da Mooca, 2183) completou cem anos em 2014 e está em plena atividade. Foi construída para atender aos filhos dos imigrantes que desembarcavam em São Paulo para trabalhar na incipiente indústria paulistana. O Teatro Municipal da Mooca Arthur Azevedo (Av. Paes de Barros, 955) passou por uma ampla reforma e foi reaberto em agosto de 2015. No local, funciona a sede do Clube do Choro de São Paulo, que divide programação regular com outros gêneros musicais, além de espetáculos de dança e teatro.

Na confluência das ruas da Mooca, Oratório e Taquari, com a Avenida Paes de Barros, está um marco histórico da Mooca: a Praça Vermelha. Apertada em uma faixa estreita de calçada, não é bem uma praça. Mais parece um memorial. Recebeu esse nome porque o local foi palco de inúmeras manifestações por direitos trabalhistas durante o século XX. Depois da Greve Geral de 1917, os ideais comunistas ganharam corpo no Brasil em detrimento do anarquismo. Foi ponto de encontro do Partido Comunista Brasileiro.

Quem procura espaço verde no bairro costuma visitar a esquina entre a Avenida Paes de Barros e a Rua Terenas. Em setembro do ano passado, a Sabesp inaugurou no local um parque de mais de vinte mil metros quadrados. O espaço conta equipamentos de ginástica, playground, campo gramado e já entrou no roteiro de quem frequenta a região.

Compras

Mooca Plaza Shopping (R. Cap. Pacheco e Chaves, 313): amplo centro de compras, com 241 lojas, sendo oito megalojas, restaurantes e salas de cinema- uma delas XD (Extreme Digital). Tudo distribuído em dois pavimentos e 112 mil metros quadrados de terreno.

Feirão 1 milhão de LPs: A Loja Casarão dos Vinil, no número 1212 da rua dos Trilhos, vende vinis ao preço único de R$ 9,99. Aos finais de semana, a casa promove também um feirão de discos ao preço de R$ 4,99, na R. do Oratório, 838. É o famoso Feirão 1 milhão de Lps. Mas é preciso paciência. Os discos não são separados por cantores ou gêneros. ‘Garimpar’ é o único jeito de fazer um bom negócio.


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