Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

O que fazer na Barra Funda

Ópera no Theatro São Pedro, torresminho no Valadares, sonho na Dulca, festinha à noite no meio da semana: destaques no perfil de cultura, lazer e comida desse bairro na zona oeste

O Estado de S. Paulo

08 de setembro de 2015 | 18h49

Vivem hoje na Barra Funda cerca de 15 000 moradores. Em seu importante terminal rodoviário, de trem e de metrô (Av. Áureo Soares do Moura Andrade), o vaivém é de 40 000 pessoas por dia - é o segundo mais movimentado da capital, perdendo apenas para o Tietê. 

Os trilhos ajudam a contar a história do bairro, porque entre os séculos XIX e XX, primeiros anos de vida, atraíram indústrias e moradores - operários, imigrantes, ex-escravos. Com a crise de 1929, a elite paulistana que vivia ali perto, sobretudo nos Campos Elíseos, começa a abandonar a região, que entra em decadência. Muitas fábricas vão embora. 

Nos últimos anos, porém, sobretudo com a chegada do metrô, há um certo clima de renovação e novos prédios de apartamento para um ou para a família inteira atraem outros moradores, outros perfis e histórias. No convite, constam a vizinhança bacana (Pacaembu, Perdizes, Água Branca, Higienópolis) e as linhas de transporte para entrar e sair do bairro e da cidade. Quem vive ali está perto também do estádio do Palmeiras, da Federação Paulista de Futebol, da Rede Record de Televisão e dos Fóruns Criminal e Trabalhista. Continue lendo para saber um pouco mais sobre o perfil gastronômico, de lazer e cultura da região.

Comes e bebes: fora do circuito mais manjado de lugares para comer e beber na cidade, destacam-se na Barra Funda o bar Valadares (R. Fáustolo, 463), o restaurante Bacalhau, Vinho & Cia. (R. Barra Funda, 1067), a Feijoada da Bia (R. Lopes Chaves, 105) e a loja de fábrica da tradicional doceria Dulca (R. Lopes Chaves, 134). 

O Valadares é um botequim simpático e de boa cozinha, na ativa desde 1962. Sobre as mesas, caipirinhas de pinga e cervejas de garrafa servidas em boa temperatura escoltam porções de torresmo e de costelinha de porco frita ou, quem sabe, de batata-bolinha passada da “serragem” de alho frito, farinha de mandioca e pimenta. Tem polvo ao vinagrete. E testículo de boi à milanesa.  

As sardinhas portuguesas e as alheiras distraem o paladar até a chegada dos pratos principais à base de pescados. No Bacalhau, Vinho & Cia., as porções são fartas e alimentam mais de uma pessoa, sempre. Além das muitas variações do peixe que é a especialidade da casa, há outras receitas de frutos do mar, para quem preferir. Reserve uma parte do apetite para a tradicional lista de doces portugueses. Aberto em 1973.

No almoço de terça a sábado, a Feijoada da Bia é a atração na casinha na Lopes Chaves. Chegam à mesa cumbuquinhas separadas de feijão-preto e carnes, mais abóbora, couve refogada, arroz, farofa e gomos de laranja. Aos sábados a fila é grande, mas a espera fica mais amena ao som do chorinho e ao sabor do caldinho de feijão e da caipirinha. Quando chega a vez, a sugestão é comer sem pressa: só nesse dia a função vai até às 18h. 

Um detalhe: o restaurante da Bia é vizinho da loja de fábrica da doceria Dulca. Quitutes vários, como os deliciosos sonhos recheados de creme, ficam do outro lado da rua. Ligue antes para saber dos horários. A marca, fundada em 1951, vende pela internet. Para comer cocada de tacho, a sugestão é dirigir-se à vitrine de açucaradas receitas da Mussy & Mussy (R. Barão De Tefé, 79).

Festas, outros bares e baladas: o Villa Country (Av. Francisco Matarazzo, 774) apresenta novos nomes da música sertaneja e shows de artistas já consagrados. Para quem gosta de música eletrônica, tem as famosas D-Edge (Av. Auro Soares de Moura Andrade, 141) e Clash Club (R. Barra Funda, 969). Às segundas, na Eazy, as noites são do funk (Av. Marquês de São Vicente, 1767A). Sextas e sábados, na vizinha Água Branca, o Neu Club (R. Dona Germaine Burchard, 421) oferece festinhas em clima de sala e quintal de casa. O Depp Bar 611 (R. Barra Funda, 611) atrai fãs de rock clássico e blues. Tem chope Guinness e Heineken.

Pontos históricos e passeios culturais

Theatro São Pedro (R. Dr. Albuquerque Lins, 207): inaugurado em 1917, a fim de ser um inovador cineteatro, viveu numa montanha-russa até se tornar referência em montagens de óperas - só perde atualmente para o Municipal como principal palco de música clássica na cidade. Nos anos 1960 e 1970, recebeu grupos teatrais alternativos e engajados e montagens importantes, como "Hair" e “Morte e Vida Severina”. Reformado em 1998, foi destinado a ópera em 2006. Entre os espetáculos previstos para este ano, figuram “O Homem dos Crocodilos” (de Arrigo Barnabé, com libreto de Alberto Muñoz) junto de “Édipo Rei” (de Igor Stravinsky, com libreto de Jean Cocteau).

Espaço das Américas (R. Tagipuru, 795): inaugurado em 2002, passou por uma grande reforma. Reaberto desde 2012, converteu-se em um dos principais palcos da capital. Já passaram por lá Ivete Sangalo, Roberto Carlos e Los Hermanos; Robert Plant, Noel Gallagher e Slash. O salão principal tem 3 500 metros quadrados e a capacidade total é para 8 000 pessoas.

Parque da Água Branca (Av. Franciso Matarazzo, 455): fica em Perdizes, mas recebe atende o público dos bairros vizinhos, como Pompeia, Barra Funda e a própria Água Branca. Fundado em 1929, é tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado e pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp). São 137 mil metros quadrados, feirinha de orgânicos e café da manhã (aos sábados), espaço para piquenique, fazendinha, equitação, alamedas, lago de carpas e mais uma porção de atrações ao ar livre.

Oficina Cultural Casa Mário de Andrade (R. Lopes Chaves, 546): a casa em que viveu o escritor Mário de Andrade, durante praticamente toda a sua vida, hoje é um centro especializado em literatura, com atividades de texto, estudo de gêneros literários, jornalismo e redação. Criado em 1990, já teve entre seus professores e palestrantes José Simão, Ruth Rocha e João Cabral de Melo Neto. Apesar do contexto histórico, não há um museu no local. Ainda que boa parte dos móveis originais tenha sido doada, ainda estão expostos no espaço alguns objetos pessoais e mobiliários do escritor.  

Memorial da América Latina (Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664): inaugurado em 1989, o complexo cultural (espaço para teatro, shows, exposições e outros eventos) tem projeto de Darcy Ribeiro e arquitetura de Oscar Niemeyer. Foi concebido para ser um centro político e de lazer que homenageasse a união dos povos sul-americanos. No acervo permanente, há obras importantes, como a escultura "Mão", de Niemeyer, e o painel “Tiradentes” de Cândido Portinari. Fica no memorial a Biblioteca Latino-Americana Victor Civita.

Colégio Boni Consilii (Al. Barão de Limeira, 1379): desde 1936, esse prédio pertence à Congregação das Missionárias do Sagrado Coração de Jesus. Não é aberto à visitação, mas é do interesse público saber que no começo do século XX a casa desenhada pelo italiano Luigi Pucci (o mesmo do Museu do Ipiranga) era a sede da Chácara do Carvalho, do primeiro prefeito de São Paulo, Antônio da Silva Prado. De sua propriedade, loteada, surgiu a Barra Funda, quem em 1900 receberia a primeira linha de bonde da cidade de São Paulo.

Notícias relacionadas
Tudo o que sabemos sobre:
BairrosSPBarra FundaO que fazer

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.