O que fazer com a Rota é um desafio para os governos

Cenário: Marcelo Godoy

O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2012 | 03h01

A acusação de assassinato contra policial da Rota não é fato novo na história da unidade. Surpreendente foi a prisão em flagrante por homicídio de uma equipe que estava de serviço, em vez de se optar pela abertura do "rigoroso inquérito policial militar", que, nas palavras do ex-comandante da PM coronel Francisco Profício, "quase sempre demonstra que o policial tem razão". Foi assim no caso Rota 66, quando a Justiça Militar absolveu os acusados de matar, em 1975, três jovens nos Jardins.

A prisão em flagrante dos PMs terá repercussão. A atividade policial é muito sensível aos estímulos do comando. Ao comprar cem viaturas para a Rota e afirmar que ela "voltaria à rua", o governo de Luiz Antônio Fleury Filho (1991-1995) pavimentou a estrada que levou ao massacre de 111 presos na Casa de Detenção, em 1992. "Não se deve brincar com a cultura da linha de frente", dizia o coronel Hermes Bittencourt Cruz. Ele criou o tratamento psicológico para PMs que se envolviam em tiroteio, reduzindo o número de pessoas mortas por policiais de 1.428 (1992) para 395 (1993). Desde então, a relação dos governos com a Rota sempre foi pendular: estimular ou conter a ação da unidade.

Ao assumir em 2009 a Secretaria da Segurança, Antônio Ferreira Pinto fez na Rota sua mais arriscada aposta: pôs no comando, primeiro, o tenente-coronel Paulo Telhada - 35 homicídios e 80 elogios na ficha - e, depois, o tenente-coronel Salvador Madia, réu no massacre da Detenção. Se as nomeações podem ter sido mal interpretadas por alguns da tropa, as prisões de ontem mandam um recado inverso. E o desafio pendular que cerca a Rota permanece: usar a força na proteção da sociedade e, ao mesmo tempo, respeitar seu limite, além do qual só existe a barbárie.

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