O que dá para ficar melhor na ciclofaixa

Ciclistas querem mais orientações sobre itinerários e vias limpas e de mão dupla

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2013 | 02h03

A ciclofaixa de lazer já conquistou cerca de 120 mil usuários nos dias em que funciona - domingos e feriados -, mas ainda pode melhorar. Maior quantidade de informações, melhorias na qualidade do pavimento e ajustes no trajeto podem tornar os passeios ciclísticos mais agradáveis para os frequentadores. Essas são algumas sugestões feitas por ciclistas que encontraram uma nova diversão aos domingos e feriados.

O secretário municipal de Esportes e Lazer, Celso Jatene, disse ao Estado que pretende aprimorar os trechos já existentes antes de inaugurar novos trajetos.

Os principais desafios estão no trecho que corta a região central. A ciclofaixa percorre ruas históricas, museus e pontos turísticos, mas peca pela mão única em grande parte do trajeto e falta de informação ao ciclista sobre qual o melhor itinerário. "Começa a chover e você tem de voltar na contramão", disse o engenheiro Felipe Costa, de 28 anos.

Para chegar até lá, quem vem da Paulista precisa atravessar uma pista estreita na Rua Vergueiro, que praticamente impede as ultrapassagens.

Os melhores trechos são o sul e o oeste, que cruzam bairros nobres da capital. Mesmo assim, na Avenida Jornalista Roberto Marinho, há sujeira na pista por causa das obras da Linha 17-Ouro do Metrô (o monotrilho da zona sul). O excesso de poeira sobre o asfalto pode provocar quedas. As pedras pontiagudas são perfeitas para furar pneus.

Nos pontos mais extremos da ciclofaixa, os monitores reclamam que não há guarda-sol disponível para todos. Também não é distribuído protetor solar, o que dificulta a vida de quem está ali para orientar os ciclistas e sinalizar a parada nos cruzamentos mais movimentados.

Nas ciclofaixas das zonas leste e norte, a principal reclamação é a falta de interligação com as demais. "Precisava ligar também com o Parque Ecológico do Tietê ou com a ciclovia da Radial Leste", afirmou o analista de operações Edgard Trigo, de 30 anos, que frequenta a via do Parque Tiquatira.

Mobilidade. A ciclofaixa de lazer já realiza o sonho de quem nunca imaginou que seria possível pedalar pela cidade com segurança. É o caso do analista de sistemas Fábio José da Costa, de 32 anos, que teve poliomielite aos três meses de idade, é deficiente físico e consegue se divertir aos domingos e feriados em sua handbike - bicicleta adaptada na qual os braços fazem o papel das pernas.

"Hoje faço passeios por lugares onde nem imaginava que conseguiria chegar. A visão da bicicleta é totalmente diferente daquela que se tem em um carro ou ônibus", comemora Costa.

O cicloativista Leandro Valverdes diz que são inegáveis os benefícios da ciclofaixa, por colocar mais pessoas em contato com bicicletas.

"Observo um efeito da mudança já no sábado. Mesmo sem a ciclofaixa, se tem sol, já tem uma galera pedalando nas ruas", afirma. "Agora, ainda fica a pergunta: para onde vão essas bikes na segunda-feira, dia útil? Fica sempre a vontade de ver essa mudança cultural acontecer de forma mais rápida."

Resposta. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que a ciclofaixa no centro segue a orientação do tráfego das vias, por isso a mão única. Disse também que já elaborou um projeto para instalação de banners com duas alternativas de trajeto para orientar e informar os usuários. O órgão explicou que a interligação pela Vergueiro tem a mesma largura da motofaixa e os ciclistas não precisam forçar ultrapassagens porque a via é dedicada ao lazer e não haveria razão para pressa.

Técnicos da Subprefeitura de Santo Amaro notificariam os responsáveis pela obra no monotrilho para que resíduos não afetem a ciclofaixa.

A empresa responsável pela gestão da ciclofaixa disse que todos os pontos onde há orientadores de bandeira têm guarda-sol.

A capital tem 60 km de ciclofaixa, em todas as regiões. O último percurso inaugurado foi o Trecho Guarapiranga, na zona sul, em dezembro.

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