'O PSD é favorável a manter a inspeção veicular como está'

Vereador diz que bancada considera 'erro' mudança e afirma que, apesar dos cargos na nova gestão, partido não integra a base

Entrevista com

DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

03 Janeiro 2013 | 02h00

Além da crise com o PV, contrário às mudanças na inspeção veicular anual, o prefeito eleito Fernando Haddad (PT) vai enfrentar mais um obstáculo para aprovar sua principal promessa de campanha: a bancada do PSD, a terceira maior da Câmara, com oito vereadores, avisou que também é favorável ao programa de testes de veículos realizados todos os anos. Eleito vice-presidente da Câmara e maior expoente do partido no Legislativo, o vereador Marco Aurélio Cunha (PSD), de 58 anos, adiantou ontem ao Estado que a bancada vai votar contra qualquer mudança no programa da inspeção.

A reportagem já apurou também que o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) liberou a bancada para votar contra as mudanças na inspeção - apesar de manter cargos na gestão. A seguir, trechos da entrevista com o vice-presidente, que diz não ter apenas "torcedores são-paulinos" como eleitores.

O primeiro projeto que a Câmara vai receber é o que prevê mudanças na inspeção veicular. O senhor vai votar a favor?

Não, sou totalmente favorável a manter a inspeção como está. Nossa bancada considera que foi um avanço para a saúde da população a implementação dos testes. Não podemos dar um passo para trás. O prefeito eleito está errado. Sou médico e sei da importância de se controlar poluentes cancerígenos emitidos pelos automóveis. A inspeção tem é de ser expandida para o interior e cidades da Grande São Paulo.

O PSD vai ser mantido no governo Haddad, na São Paulo Turismo (SPTuris). Isso não significa a obrigação de votar em conjunto com a base do governo?

De forma nenhuma. A manutenção do Marcelo Rehder na SPTuris foi um gesto de justiça do Haddad com o prefeito Kassab, por toda a sua elegância e pelo espírito republicano durante a transição. Não significa que a bancada vai ter um alinhamento político com o Haddad.

Mas, se o Kassab estiver ao lado do PT, a bancada não vai ter de seguir o ex-prefeito?

Não sei. Não é bem assim. O Kassab é o nosso grande dirigente e tem sempre de ser ouvido. Só que a nossa bancada tem autonomia para discutir e debater a cidade. Nossa função não é ser adesista ao governo.

O seu partido também ganhou a vice-presidência do Legislativo, com apoio do novo governo...

A eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal respeitou foi a proporcionalidade das bancadas. Nada tem a ver com a composição do governo. Em nenhum momento discutimos cargos ou composição de secretarias (com o prefeito Haddad). Todo o diálogo entre o PSD e o novo governo foi feito pelo prefeito Kassab durante o período da transição.

O senhor foi reeleito com mais de 40 mil votos. São só os são-paulinos que votam no senhor (o vereador foi diretor do clube)?

Os torcedores são-paulinos são o grande diferencial. Mas eu tenho mais de 33 anos de medicina esportiva, conheço muitos atletas e suas famílias, que são meus eleitores. Tenho principalmente votos na classe média de Perdizes, Pacaembu, Pinheiros, Indianópolis. É uma votação bem distribuída.

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