''O próximo passo é aumentar a internacionalização'

Na opinião do editor dos rankings da Times Higher Education, o inglês é uma das dificuldades dos latino-americanos

Entrevista com

Marina Azaredo, O Estado de S.Paulo

05 Dezembro 2013 | 02h12

O próximo desafio para as universidades brasileiras é agilizar o seu processo de internacionalização. A avaliação é do editor de rankings da revista Times Higher Education. Para ele, o idioma é um dos principais entraves para esse processo, não apenas no Brasil, mas entre as instituições de ensino latino-americanas em geral.

O Brasil é uma das principais economias do mundo, mas não está tão bem no ranking. O que se pode fazer para mudar isso?

Não há dúvidas de que o Brasil está fazendo um importante trabalho em algumas áreas, principalmente em universidades como a USP e a Unicamp, mas o próximo passo é aumentar a internacionalização. Em lugares como a China, por exemplo, há um grande esforço para atrair talentos internacionais, oferecendo salários competitivos. Outro problema é a burocracia.

Quantas universidades o Brasil deveria ter no ranking?

Considerando o tamanho da economia, podemos dizer que com certeza deveriam existir mais instituições do País na lista. Precisamos de mais participação e envolvimento das universidades brasileiras. Os governos da Índia, da Rússia e da China incentivam as suas universidades a participar da Times Higher Education, porque elas precisam avaliar as suas performances e comparar os seus desempenhos com outras instituições.

O que contribui para o resultado ruim do Brasil?

O fator principal é a produção de pesquisa científica, o quão a pesquisa de cada instituição é influente e tem poder para mudar o mundo por meio da produção de conhecimento. Essa é a área mais fraca do Brasil. Os pesquisadores do País precisam se envolver mais com a comunidade de pesquisadores internacionais.

A que o senhor atribui esse desempenho ruim dos países latino-americanos?

Acredito que o problema seja a língua. O inglês se tornou a língua internacional do ensino e da pesquisa. Países que adotam o idioma no ensino universitário naturalmente apresentam mais internacionalização e participam de uma conversa global. Esse é um grande desafio para o continente.

Por que a China tem tantas universidades no ranking?

A China reconhece a importância de investir em universidades para sustentar a economia. E esse é um processo relativamente recente: começou nos anos 1990 e acabou levando o país, que era uma economia industrial, a se tornar uma economia do conhecimento e de inovação. No Brasil, o Ciência sem Fronteiras é uma mudança muito positiva nesse sentido e vai contribuir no processo de internacionalização.

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