O projeto traz mais riscos que benefícios?

SIM

O Estado de S. Paulo

28 Novembro 2011 | 03h03

 

"Um projeto que tira as crianças das escolas municipais das calçadas e as coloca na pista deve ser visto com muita reserva. Segundo o Código de Trânsito Brasileiro (art. 58), as bicicletas devem circular "nos bordos da pista de rolamento". Portanto elas devem andar alinhadas, em fila indiana, no bordo da pista, e não em comboio ou "bike-bus".

 

Além disso, como um monitor vai segurar 15 ciclistas - crianças e adolescentes - alinhados? Crianças são naturalmente irrequietas - uma de suas muitas e belas características - e portanto difíceis de se controlar.

 

Esse projeto pode ser uma ótima ideia em uma área rural, onde a bicicleta pode vencer maiores distâncias com conforto para os alunos, com mínimo risco. Mas em uma área urbana, com tráfego intenso, é mais complicado."

 

* Por Sérgio Ejzenberg, engenheiro de tráfego

 

NÃO

 

"A ideia tem grande potencial para criar uma cidade mais saudável, humana e ecologicamente correta, mas deve ser bem feita para não virar um tiro no pé. Um terço das viagens na capital é feita a pé e 350 mil pessoas usam bicicletas, mas a infraestrutura está voltada para veículos motorizados. Isso tem seu preço - a CET reportou 679 mortes de pedestres e ciclistas em 2010.

 

Para garantir a segurança, as escolas precisam trabalhar sistematicamente com a CET, motoristas e alunos, investindo tanto em educação quanto em infraestrutura. Há no Brasil um programa que visa a melhorar o acesso às escolas pelos pedestres e ciclistas, chamado "Rotas Seguras Para a Escola". São Paulo também deveria ter um programa assim para garantir o sucesso do projeto da Prefeitura."

 

* Por Jonas Hagen, consultor de transporte sustentável

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