'O profissional já garante a prevenção de doenças'

Um dos formuladores do Sistema Único de Saúde (SUS), o sanitarista Hésio Cordeiro vê uma ameaça nas organizações de saúde (que gerenciam postos e hospitais públicos) e na criação de empresas públicas para gerenciar os hospitais universitários. Para ele, essa prática subverte os preceitos do atendimento público, que passa a ser voltado para o lucro. Às vésperas de o SUS fazer 25 anos, Cordeiro diz que o sistema ainda não está consolidado. O desafio agora é contornar desigualdades regionais. Cordeiro defende o programa Mais Médicos, mas adverte que é resposta emergencial.

Entrevista com

CLARISSA THOMÉ / RIO, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2013 | 02h09

Que balanço o senhor faz do SUS?

Alguns Estados se desenvolveram mais rapidamente, outros mais lentamente. Nem todos entenderam de início o que era o SUS.

Onde está o gargalo?

Um grande problema do SUS é a qualidade do atendimento, que é bastante heterogênea, porque os programas de qualidade continuada são muito incipientes. Essas desigualdades regionais é que causam problemas na consolidação do SUS.

Como o senhor vê o papel das organizações sociais?

É uma outra forma de privatizar a saúde. Esse movimento precisa ser revertido.

Qual a sua opinião sobre o Mais Médicos?

É a resposta para uma situação emergencial. Mas a questão da saúde no Brasil não se resolve só com mais médicos. O sanitarista Carlos Gentile de Mello (1920-1982) dizia que a distribuição de médicos coincide com a distribuição de bancos. Não que os médicos sejam ricos, mas bancos existem onde há atividade econômica. Os médicos também. Lógico que só se resolvem graves problemas de saúde com desenvolvimento econômico mais igualitário. A vinda dos médicos de fora é uma questão temporária, provisória.

Os conselhos médicos recusaram registros e as faculdades de medicina não aderiram ao programa. O que o senhor acha disso?

Sou contra essa reação dos conselhos. Reações corporativas deveriam ser banidas. É claro que se reconhece que a presença dos médicos por si só não resolve todos os problemas da saúde. Mas ter o profissional já garante a prevenção de doenças.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.