O primeiro dia foi favorável à acusação

Análise: Luiz Flávio Gomes

É JURISTA, DIRETOR-PRESIDENTE DO INSTITUTO AVANTE BRASIL, O Estado de S.Paulo

12 Março 2013 | 02h06

Mizael Bispo de Souza seria um desequilibrado, possessivo, quase um psicopata, que teria matado sua ex-namorada Mércia por ciúmes?

Ou seria um inocente, preso há um ano, por um erro judicial? Teria cometido um crime passional? Ou Mércia Nakashima teria sido morta em razão de causas profissionais?

Seguramente o leitor, que está acompanhando ao vivo o julgamento, já começou a formar seu convencimento. O primeiro dia foi favorável à acusação, porque somente foram ouvidas testemunhas indicadas pela acusação. As testemunhas de defesa serão ouvidas depois.

Não há confissão do réu, logo, a acusação está pedindo a sua condenação, no Tribunal do Júri de Guarulhos, com base em indícios. Quais? Relacionamento conturbado com Mércia, ele teria sido visto entrando no carro dela, incriminações de Evandro (que foram contraditórias), depoimento do delegado de polícia que presidiu a investigação, o cruzamento dos dados telefônicos, as diversas ligações entre Mizael e Evandro no dia do crime etc.

A prova técnica telefônica comprova que o réu usou seu celular longe do seu veículo. O réu disse que ficou no carro com uma garota de programa. Esse foi seu álibi que deve ser provado, para convencer os jurados.

O destaque, no entanto, no primeiro dia do julgamento, reside no encontro no sapato do acusado de fragmentos de uma alga subaquática, de água doce, com as características da represa de Nazaré Paulista, onde o carro e o corpo da vítima foram encontrados.

Julgamento do Tribunal do Júri é como um tabuleiro de xadrez: cada peça tem sua relevância. Favorecimento à acusação no primeiro dia não significa necessariamente condenação penal.

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