'O policial olhou e atirou. Senti a força da bala na parede', diz repórter

Eu me abriguei da batalha entre polícia e manifestantes de anteontem na Rua Doutor Cesário Mota Júnior, um dos cruzamentos da Rua da Consolação, de onde tentava acompanhar o que, naquela hora, era uma guerra.

O Estado de S.Paulo

15 Junho 2013 | 02h05

Muita gente do meu lado estava na batalha, jogando pedras contra a polícia, mas ali me pareceu um lugar seguro (na medida do possível) para trabalhar.

Errei. À medida em que a nuvem de gás lacrimogêneo ia espantando as pessoas dali, foram ficando apenas alguns fotógrafos e ativistas. Mas, uns 15 minutos depois do começo da briga, um carro da Rota entrou naquela rua. Bem devagar, na contramão, procurando atirar balas de borracha em quem estivesse na rua.

Não achei que era um alvo. Estava de bloquinho na mão, sozinho. E errei de novo. Um policial olhou para mim, apontou a arma e atirou, mas acertou a parede do prédio onde eu parei. Senti a força da bala na parede. Dá medo ser confundido com manifestante. A polícia machuca de verdade. Então, reagi gritando: "é imprensa!" e fugi quando a viatura andou.

Cheguei a ficar na dúvida se o PM errou de propósito, para assustar. Mas, uma hora depois, na Rua Augusta, vi uma colega atingida no olho. E vi a sorte que eu tive.

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