O pedestre tem de andar desviando das traseiras de veículos

Análise

Flávio Marcondes,

03 de outubro de 2010 | 00h11

É válida uma reflexão sobre o que é público e o que é privado nas cidades e como a população e o poder público confundem esses aspectos.

O problema é visível nas calçadas. Em algum momento do dia somos todos pedestres. E ao sairmos de casa enfrentamos buracos, floreiras, mesas de bares, postes e também a ocupação do espaço do pedestre pela invasão da calçada pela rua, que se dá por meio das guias rebaixadas. É o dono do imóvel fingindo que a calçada não é sua, quando deveria arrumar seus buracos e considerando-se o único com direito a usá-la quando pode tirar algum proveito.

As guias rebaixadas se tornaram um sério problema para o pedestre, pois por toda parte ocupam a extensão total dos lotes. O pedestre tem de andar desviando das traseiras dos veículos sobre a calçada. É o privado invadindo o público. A apropriação das guias é comum em regiões nas quais antigas residências têm seu uso substituído pelo comércio ou serviço, muitas vezes contrariando a legislação que permite o uso do solo nos bairros.

O pedestre fica em permanente estado de atenção, já que os veículos podem aparecer por todos os lados. É o que acontece quando passa diante de um posto de gasolina, de lojas com muitas vagas na frente.

Qualquer hora se exigirá do poder público faixas para pedestre nos próprios passeios.

É curioso considerarmos a quantidade enorme de leis ou decretos sobre o assunto. Há pelo menos cinco ou seis. Nesses documentos é clara a responsabilidade do poder municipal em aprovar os projetos das edificações ou suas reformas. E de executar ele próprio o rebaixamento das guias. O poder público é provavelmente omisso, pois na maioria das calçadas, em quase todos os lugares, vemos guias rebaixadas de qualquer tamanho.

É PROFESSOR DE ARQUITETURA DA UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE

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