''O papo de estádio deixou a garotada em delírio''

Para o ex-jogador da Portuguesa José Roberto Gaspar, projeto inspira meninos que jogam bola nos campos do bairro

, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2010 | 00h00

Na terra batida de um campinho de futebol em Pirituba, José Roberto Gaspar, de 46 anos, ouve garotos nascidos em 1995 falarem sobre o Piritubão. "Imagine se esses moleques conseguem disputar uma Copa do Mundo dentro do bairro deles? É isso que eles estão sonhando. Esse papo de estádio para 2014 deixou a garotada em delírio", comenta o ex-jogador da Portuguesa.

Mas, enquanto a construção de uma arena ainda é um sonho, Gaspar quer mesmo é conseguir o apoio da Prefeitura para erguer uma pequena arquibancada no clube-escola onde dá aulas de futebol todos os dias. O gramado sintético deve chegar até julho. Agora, o treinador espera que a evidência do futebol no bairro facilite a chegada de novos benefícios para os 180 alunos.

"Estão falando até de metrô por aqui agora. Acho que uma Copa do Mundo transforma qualquer lugar. Nós estamos afastados da cidade, é difícil alguém lembrar da gente aqui em cima. Todo morador quer essa arena", diz Gaspar.

Ao lado do campinho, o aposentado Carlos de Moraes, de 69 anos, observa o despretensioso rachão da garotada. Vendedor de espetinhos nas horas vagas, ele é uma espécie de cronista do futebol de várzea piritubano. "Do nosso terrão já vi sair muito craque. O César Maluco, que jogou no Palmeiras, saiu do timinho do Jardim Regina. O futebol amador de Pirituba tem história", gaba-se Moraes, que chegou de Barretos em 1958 e nunca mais saiu do bairro. "Eu vou fazer questão de ficar vivo para ver uma Copa por aqui", brinca.

Mesmo quem não entende muito de futebol já sabe que está no "bairro da Copa". Ao ver a reportagem do Estado, a microempresária Telma Cristina Alves, de 40 anos, logo perguntou se o assunto era o Piritubão. "Já sabia que era por causa do estádio que vocês estão aqui", exclama, sorridente. "Com um empreendimento desses, imagine, vamos ter mais pizzarias, mais lojas, mais segurança. Tudo isso valoriza nossas casas."

Movimento. Nem os mais acostumados ao sossego do bairro dizem temer o impacto de um evento como a Copa. No encontro de senhoras da "melhor idade" do bairro, a construção do estádio desperta orgulho. Entre 13 mulheres, ninguém é contra um estádio local.

"Quem gosta de mato que compre um sítio. Eu quero é ter um shopping do lado de casa", esbraveja, em tom meio sério, a aposentada Maria de Lourdes Mazoni, de 63 anos. Depois, ao dizer que não quer ser "inimiga da natureza", ela tenta ponderar. "Ninguém quer que desmate tudo. Mas eu tive de esperar mais de 50 anos para ver um Carrefour por aqui. Minhas netas não precisam esperar o mesmo para ver um shopping."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.