'O papa sabe que nosso povo é pacífico'

Entrevista com Dom Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro

Entrevista com

Luciana Nunes Leal / Rio, O Estado de S.Paulo

18 Julho 2013 | 02h38

Ordenado há 38 anos e no comando da Arquidiocese do Rio de Janeiro desde 2009, d. Orani João Tempesta é o anfitrião da primeira viagem internacional do papa Francisco. É ele quem coordena a organização da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), tarefa que o tem feito cumprir uma agenda intensa nos últimos dias. Mas, apesar da tensão das equipes responsáveis pela segurança do papa e dos peregrinos, por causa da onda de protestos, d. Orani diz que "o papa sabe que nosso povo é pacífico".

Francisco chega em um momento de tensão, diferente do clima receptivo das vindas de outros papas ao Brasil. Questiona-se até a realização da Jornada. Há razão para preocupação?

Aqui há uma bela providência. Quando o papa João Paulo II preparou a Jornada da Alemanha, ele morreu antes, e quem foi à Jornada foi Bento XVI, um alemão. Agora quem preparou a Jornada foi Bento XVI e quem virá será um papa latino-americano. Ele conhece nossa índole, sabe que nosso povo é pacífico. O povo tem suas reivindicações normais, naturais, tem suas dificuldades. O papa conhece bem essa realidade. O Vaticano está acostumado a ir a locais com tensões. Não tem como existir um mundo sem reivindicações, sem tensões.

O senhor conseguiu fechar os custos da Jornada? Esse valor de R$ 350 milhões é correto?

Uma empresa de consultoria está vendo. Como vai fechar custo se a Jornada não acabou ainda? Nem começou, aliás. Cada um faz prognósticos por própria conta, as especulações são muitas. É tudo muito relativo, mas só uma empresa pode dizer. Especularam tantos papas que seriam eleitos e todo mundo errou.

O que motivou os peregrinos a virem ao Brasil e que fatores podem ter desestimulado a vinda de estrangeiros?

A Jornada tem sua própria dinâmica e chama as pessoas a participar. Havia uma dificuldade de os latino-americanos irem à Europa. O mesmo a agora: os latino-americanos são 80% do público pela proximidade. Europeus, asiáticos e africanos vêm em menor participação por causa da distância, dos custos. Não é bem desestimular, mas custo é custo.

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