O pai do moderno teatro paulistano

Toda a história do moderno teatro brasileiro - e notadamente dos palcos de São Paulo - estará incompleta sem a figura de Alfredo Mesquita. Isso porque nossa própria ideia de modernidade nas artes cênicas encontra nele uma figura central.

GUILHERME CONTE, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2012 | 03h06

Dr. Alfredo, como era chamado por gerações de alunos e colegas, nasceu na casa dos avós maternos em 26 de novembro de 1907. Em 1932, engajou-se ao lado dos irmãos Julio e Francisco na Revolução Constitucionalista. Alfredo e Francisco foram presos e passaram alguns meses nos presídios de Ilha Grande e Ilha das Flores, episódios que lembraria em obras como o livro A Única Solução, de 1939. Após uma estadia na França de 1935 a 1937, onde estudou com mestres como Louis Jouvet e Gaston Baty, voltou decidido a se dedicar às Artes Cênicas. O ator Procópio Ferreira encenou suas duas primeiras peças, A Esperança da Família (1936) e Em Família (1937). Em 1942, fundou a revista Clima, com jovens como Antonio Cândido e Décio de Almeida Prado. Ainda criou a Livraria Jaraguá, ponto de encontro de intelectuais, e o Grupo de Teatro Experimental (GTE), que abriu caminhos que seriam consolidados pelo Teatro Brasileiro de Comédia (TBC).

Mas o grande feito de Dr. Alfredo foi ter fundado, em 1948, a Escola de Arte Dramática. Mais que formar gerações de atores e diretores - como Juca de Oliveira, José Renato, Aracy Balabanian e Miriam Mehler -, a EAD foi fundamental para a profissionalização da figura do ator. São lembradas com saudade as sopas que levava de casa para matar a fome de alunos. Dr. Alfredo morreu em 1986, após uma vida inteira dedicada ao teatro.

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