O pai da nova Praça Roosevelt

No ano 2000, o arquiteto Rubens Reis procurava um novo apartamento. Queria trocar o Bexiga por uma área mais central. "Encontramos um ótimo, na frente da Praça Roosevelt. Aí olhamos para baixo, vimos a situação da praça e minha mulher (a também arquiteta Rita Losciuto) perguntou: 'A reforma da praça vai sair?'" Acabaram se mudando para Higienópolis. "Nem eu acreditava que a reforma sairia do papel", afirma Reis.

EDISON VEIGA, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2012 | 03h07

Ele era arquiteto da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb, que depois se tornaria a São Paulo Urbanismo - SP Urbanismo) e desde 1989 se debruçava sobre projetos de recuperação da praça. "Estava ficando até chato. A cada nova administração, eu pegava o projeto atualizado e ia lá mostrar para a comunidade do entorno. Ninguém acreditava mais", comenta ele, que acabou se tornando conhecido entre comerciantes, moradores e artistas das companhias teatrais localizadas por ali - o grandalhão Raul Barretto, ator dos Parlapatões, refere-se a ele como "Rubinho".

Vinte e três anos depois das primeiras discussões sobre o futuro da Praça Roosevelt, Reis hoje respira com o alívio da missão cumprida. Apesar de ele nem estar mais nos quadros da Prefeitura - saiu em 2009, antes mesmo do início das obras na praça -, fica feliz ao ver serem executadas as diretrizes de seu projeto. "Fico satisfeito", diz, aos 55 anos. "O que espero agora é que haja condições de manutenção, para que a praça não se deteriore novamente." A reforma da praça foi iniciada em outubro de 2010, ao custo de R$ 55 milhões. A reinauguração deve ocorrer até o fim de setembro.

"Se compararmos com a situação em que estava, é claro que a reforma foi muito boa", avalia o ator Raul Barretto. "Mas poderia ser um projeto mais ousado. Agora é torcer para que o povo use e se aproprie do espaço público."

Trajetória. A Praça Roosevelt começou a ser construída em 1967. Ficou pronta três anos depois. Nos anos 1980, entrou em decadência, agravada na década seguinte, quando o local ficou conhecido por ser um degradado ponto de usuários de drogas. "Originalmente, a praça tinha restaurante, mercado, correio e salão de exposições", lembra Reis. "Com a decadência, a Prefeitura começou a buscar maneiras de torná-la amigável aos frequentadores. A praça chegou a ter um circo e ações esporádicas como feiras de livros e de artes. Foi cogitado até um heliponto no local."

A situação se tornou tão complicada que, em 1995, houve uma reunião decisiva no Edifício Martinelli, no centro, onde ficava a Emurb. "Defendi que havia duas saídas: construir um equipamento cultural que tomasse conta da praça ou demolir tudo e fazer uma nova praça", explica o arquiteto. Então chefe de departamento da Emurb, o arquiteto José Eduardo Lefèvre, hoje presidente do órgão municipal de proteção ao patrimônio (Conpresp), também foi da mesma opinião. Decidiram pela demolição.

"Mas sempre esbarrávamos no custo de uma obra dessas. A praça se tornou algo tão forte em minha vida que até minha mulher chegou a reclamar que eu só pensava nisso", afirma Reis. O projeto atual foi formulado em 2005 - as obras foram iniciadas cinco anos depois.

"Foram poucas e normais as alterações ao que concebemos originalmente. Isso acontece mesmo em obra", comenta ele. A quem critica a pouca quantidade de árvores, ele rebate prontamente. "São 200 mudas. As pessoas precisam entender que uma copa demora anos para se formar. Daqui a algum tempo, esta será uma praça muito agradável", garante. "Tomamos o cuidado de projetar de modo que não haja cantos escuros ou locais que possam servir de esconderijo. A praça vai ser segura."

No fim de 2009, Reis saiu da Emurb. Tinha intenção de se dedicar a projetos como arquiteto autônomo. Por quase dois anos, prestou serviços de acompanhamento técnico às obras do Museu de Arte Contemporânea de São Paulo (MAC-USP) no antigo prédio do Detran, na frente do Parque do Ibirapuera.

A ligação com a Praça Roosevelt permanecerá. "É algo que vem até de antes de eu me envolver por tantos anos no projeto. Quando estudante (ele se formou em 1988, pelo Mackenzie, próximo da praça), eu frequentava o cineclube e as boates ao redor da praça", lembra.

Rubens Reis começou a pensar em projetos para o local

ainda em 1989 e hoje se sente aliviado pela missão cumprida

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