HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO
HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

‘O mundo do crime, sabedor de que a polícia tem poder de fogo, vai se conter’

Secretário não vê irregularidade na ação de domingo e considera que crimes no Morumbi podem até ter redução

Entrevista com

Mágino Alves Barbosa Filho, secretário da Segurança Pública de São Paulo

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

06 Setembro 2017 | 03h00

Dois dias após a morte de dez suspeitos de integrar uma quadrilha de ladrões de residências, em um confronto com policiais civis no Morumbi, o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Mágino Alves Barbosa Filho, disse nesta terça-feira, 5, ao Estado que o confronto pode inibir novas ocorrências. “O mundo do crime, sabedor de que a polícia tem poder de fogo, vai se conter.” 

A operação no Morumbi teve dez mortos e nenhum preso. Qual é a avaliação do senhor?

Felizmente, nenhum civil estranho à ocorrência foi ferido. E também nenhum policial foi ferido gravemente. Agora, esse tipo de confronto não é algo que a gente queira. Às vezes, se torna inevitável. Quem buscou o confronto foram os bandidos e, aí, infelizmente, tem esse efeito que não era desejado. A meta de qualquer uma das polícias é sempre a prisão, mas a polícia também está preparada para confronto.

Os fuzis usados pelo Deic fazem do policial mais preparado para confrontar um criminoso?

Nem todos os policiais usam esse tipo de armamento. Os nossos policiais que usam fuzil têm treinamento muito rigoroso, em qualquer uma das polícias. O fuzil foi utilizado sem a produção de danos colaterais, então é uma operação que seguiu padrões técnicos.

O boletim de ocorrência diz que os mortos sofreram, ao todo, 138 perfurações. Nenhum policial teve ferimento grave. Esse cenário põe alguma suspeição?

Não, e me estranha um pouco esse tipo de observação, porque parece que se espera que um policial seja ferido. Os policiais surpreendem os bandidos, então eles levam essa pequena vantagem. A imprensa, hoje, tem as fotos de vários bandidos usando fuzis para praticar crimes na residência de uma família. A desproporção é uma senhora de 80 anos estar em casa e entrarem bandidos portando fuzis. O Estado reagir com o mesmo tipo de armamento, eu não vejo desproporção. Vejo como uma ação adequada.

Quando o senhor fala que o policial tem uma vantagem, que é a surpresa, é em que sentido?

É no sentido de que, se os policiais tomam conhecimento que os bandidos estão em processo de fuga, os criminosos só se dão conta depois e têm um encontro com as forças policiais. Essa que é a surpresa.

Os policiais atiraram primeiro?

Não. Até onde me relataram, a primeira ação foi dos bandidos: arremesso de carro em cima de uma viatura da polícia.

A Corregedoria da Polícia Civil vai instaurar inquérito ou só acompanhar as investigações do DHPP, responsável pelo caso?

Se houver indícios de excesso praticado por policiais ou de alguma infração administrativa, a Corregedoria vai atuar. Mas, por ora, o que se está apurando é um crime de roubo, onde houve confronto de bandidos com policiais, e morte decorrente dessa intervenção.

Com a polícia mais armada, a gente pode esperar mais confrontos como este do Morumbi?

Não. Eu acredito até que o mundo do crime, sabedor de que a polícia tem poder de fogo, vai se conter nesse tipo de ações mais ousadas. O confronto é sempre a última opção, só que o mundo do crime precisa saber que o policial está preparado, bem armado e pronto para reagir a uma ação delituosa.

Há informação sobre fuga?

Não, se falou muito disso, mas não há essa informação. Pode até ter, mas nada de concreto.

As vítimas do roubo relataram na delegacia que os criminosos levaram R$ 5 mil e dois relógios. Nada foi devolvido. Como é que explica isso, se não houve fuga?

Não sei, a cena do crime pode ter sido prejudicada. Não sei.

A investigação não apontou nenhum indício de irregularidade por enquanto?

Não tem nenhum indício. O que tem, hoje, é uma ação policial bem-sucedida, sob o aspecto de que nenhuma das vítimas das ações criminosas sofreu dano físico. E, embora não seja o resultado desejado pelo Estado, o Estado não pode deixar de ter como um resultado possível. Se os criminosos executam um confronto, eles podem ter um resultado como o dessa ação.

O senhor acredita que a ação pode diminuir a criminalidade no Morumbi?

Pode, porque há pessoas que tomam conhecimento de um tipo de crime que, às vezes, é bem-sucedido e acham que podem ter sucesso também. Essa quadrilha vinha atuando há bastante tempo no Morumbi.

Era a única de lá?

Pode ser que existam outras. Mas ela vinha causando muito desassossego na região.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.