Clayton de Souza/AE
Clayton de Souza/AE

O melhor órgão da cidade. Novo em folha

A mesma família cuida do instrumento da Igreja N. Sr.ª de Fátima, no Sumaré, há 30 anos e foi responsável por sua restauração; o som particular foi gravado em CD

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2011 | 00h00

Apontado por músicos e especialistas como o melhor órgão de São Paulo em atividade, depois de um rigoroso restauro, o instrumento da Igreja Nossa Senhora de Fátima, no Sumaré, zona oeste, teve seu som eternizado pela primeira vez. A gravação foi feita para o álbum Música para Órgão, com interpretação do organista Marcelo Gianinni - uma apresentação do artista, às 21 horas deste domingo, marca o lançamento. O restauro que ressuscitou o instrumento centenário foi feito pela Rigatto, família que há mais de três décadas cuida do órgão do Sumaré.

O Expedição Metrópole foi conhecer as particularidades e histórias do instrumento, considerado também um dos 15 maiores e mais antigos da cidade - a capital paulista tem 60 órgãos. Já descrito como o "rei dos instrumentos", o órgão tem uma singularidade como nenhum outro. Cada exemplar, de cada igreja ou sala de concerto, tem características próprias.

O do Sumaré só ganha elogios. "O resultado do restauro foi fantástico, a qualidade é de nível internacional e a acústica da igreja, excelente", diz Gianinni, músico que mora na Europa há mais de 30 anos.

Construído em 1908 na Alemanha pela fábrica Walcker, o órgão do santuário foi instalado no mesmo ano no Mosteiro de São Bento, no centro. Mais tarde, os monges quiseram um novo e, em 1956, a igreja no Sumaré o recebeu.

O órgão sofreu um processo de abandono que o manteve em silêncio por mais de 10 anos. Em 2006, a ação dos irmãos Daniel e Márcio Rigatto - que têm uma oficina de restauro específica para esse tipo de instrumento na Lapa, também na zona oeste - foi essencial para seu renascimento. Na época, conversaram com o frei Alain Hérvin, de 73 anos - na igreja desde 1970 -, sobre a possibilidade de restaurar tudo. Os três conseguiram, em tempo recorde, uma doação. O projeto saiu do papel e foi entregue em 2008. "Encontramos tubos amassados, o cupim havia devastado muita coisa. Trocamos quase tudo", explica Márcio.

São 2,5 mil tubos, de vários diâmetros, alturas e afinações, em uma grande estrutura de madeira talhada de 15 metros quadrados. Sem contar o console, onde ficam três teclados, botões de registros de timbres e uma quarta sequência de teclas, com sons mais graves, para ser tocada com os pés. Os irmãos, que frequentam a igreja desde criança, tomaram o cuidado de deixar o instrumento mais próximo do original. "Recolocamos os botões dos timbres com os nomes em alemão, porque havia sido trocado."

E os Rigattos gostam de lembrar que o amor pelo órgão do Sumaré está no sangue: o pai, José Carlos, de 73 anos, também fez uma reforma no instrumento, em 1975.

 

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