O melhor exemplo

Dois anos antes de sua Olimpíada, Londres já terminou dois terços de todas as obras previstas

Amanda Maia, O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2010 | 00h00

Se depender dos organizadores da Olimpíada Londres 2012, a pontualidade britânica mais uma vez reforçará a fama dos ingleses. No mês de julho, em documento oficial sobre o andamento de obras e melhorias para 2012, o Comitê Olímpico e a Olympic Delivery Authority (ODA) - órgão responsável pelo desenvolvimento e infraestrutura para a Olimpíada - revelaram que 70% dos projetos já estão prontos e a conclusão dos demais está garantida para julho de 2011, um ano antes do início dos jogos.

"O objetivo é colocarmos em prática o quanto antes os benefícios que as obras trarão à população, além de termos tempo para testá-los e garantir que tudo corra bem durante o evento", declarou o prefeito Boris Johnson na ocasião. O setor de transportes é o que mais concentra mudanças e investimentos. A reforma da estação de Stratford, na região leste da cidade, é considerada a maior delas. Porta de entrada para o Parque Olímpico, tem obras orçadas em 125 milhões de libras (R$ 375 milhões), o que inclui a construção de novos acessos e o aumento da capacidade de cerca de 30 mil pessoas para 80 mil.

Segundo Hugh Sumner, diretor do setor de transportes da ODA, a Olimpíada ajudou a acelerar o processo de reforma no sistema de transporte pelo qual a cidade passaria em algum momento. "Virar sede de um evento desses é uma honra e um momento de oportunidades. De acordo com pesquisas, o número de pessoas que utilizarão o transporte público em 2016 triplicará. Os jogos estão sendo importantes catalisadores", afirma.

Para ele, um exemplo disso foi a inauguração do Northern Ticket Hall na Estação King"s Cross, no fim de 2009. Com novas escadas rolantes e a ampliação do número de catracas, as reformas no hall de uma das mais antigas e movimentadas estações de Londres viabilizarão o acesso de até 300 mil pessoas por dia. O projeto, idealizado para evitar aglomerações, havia sido engavetado em 2004. "King"s Cross será uma estação-chave em 2012, pois é ponto de interligação de seis linhas do metrô, além de ser entrada e saída de trens para Paris e Escócia." As intervenções também já se expandem a diversas linhas existentes, que passam por trabalhos de extensão.

Mais do que um espetáculo mundial, que será visto na televisão por 4 bilhões de telespectadores no mundo, Londres 2012 promete proporcionar à cidade a revitalização da região de Stratford. De acordo com os organizadores, a área onde está sendo construído o Parque Olímpico - que engloba a vila, o estádio (com capacidade para 80 mil pessoas) e a maior parte dos palcos dos Jogos - foi eleita por ser uma das áreas que menos receberam incentivos nos últimos anos.

Sustentabilidade. De acordo com a assessoria do Comitê Olímpico, planos pós-olímpicos pretendem criar 3 mil moradias populares, além de abrir o estádio e os centros esportivos para projetos sociais. "É muito importante aprender com as experiências dos outros países", diz Tom Curry, porta-voz oficial da Olympic Delivery Authority (ODA). "As rotas olímpicas que foram criadas em Sydney vão ganhar uma versão em Londres. Trata-se de um esquema de interligação de 2,6% de vias que vão conectar todos os locais de eventos. Ele será usado apenas nos dias de jogos e garantirá que os atletas cheguem sem atrasos aos eventos e a cidade não pare."

A sustentabilidade - um dos temas mais em alta da última década - permeou os planejamentos para Stratford, que também era conhecida por abrigar uma atmosfera cinzenta e uma série de indústrias desativadas. Segundo relatórios do Comitê, entre as mudanças significativas do local está a despoluição de dois quilômetros e meio do Rio Waterworks, que corta a região. O trabalho demorou três anos para ser concluído, mas retirou 20 mil toneladas de entulho das águas. Para devolver a beleza e o ar puro ao local, foram plantadas 2 mil árvores e 500 mil plantas.

TRÊS PERGUNTAS PARA...

Tom Curry

PORTA-VOZ OFICIAL DA OLYMPIC DELIVERY AUTHORITY (ODA), QUE ORGANIZA A OLIMPÍADA EM LONDRES

1. O que se levou em consideração no planejamento do Parque Olímpico?

A possibilidade de regeneração de uma área que sofreu com anos de negligência, como é o caso de Stratford, foi uma delas. Os novos espaços proporcionarão um legado importante.

2. É mais desafiador respeitar o cronograma das obras ou os limites de orçamento?

Os dois desafios devem estar em equilíbrio. Até agora, a ODA está dentro do cronograma e do orçamento. Cerca de 70% das instalações e da infraestrutura necessárias para os Jogos estão completas e estáveis em relação aos fundos.

3. Qual é a receita para evitar atraso das obras?

Acredito que seja manter o foco contínuo na entrega das obras, exigindo elevados padrões de segurança e na motivação dos empregados. É importante que eles não percam o entusiasmo.

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