Ernesto Rodrigues/AE
Ernesto Rodrigues/AE

'O inchaço foi técnico. Colocamos a Câmara onde ela devia ser colocada'

ENTREVISTA

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2010 | 00h00

Antonio Carlos Rodrigues, Presidente da Câmara Municipal de São Paulo

Prestes a deixar a presidência da Câmara Municipal de São Paulo após quatro anos no cargo, o vereador Antonio Carlos Rodrigues (PR) está por trás de grande parte das medidas que aumentaram os gastos na Casa desde 2007. Ele diz que, se por um lado os custos aumentaram, por outro a infraestrutura física e técnica da Câmara está muito melhor agora do que antes de assumir o posto.

Por que o gasto com funcionalismo subiu 80% na sua gestão?

Você tem de ver que a Câmara tinha 250 funcionários comissionados da Prefeitura quando assumi. Eu fiz concurso público e coloquei 250 concursados no lugar. Por isso, digo que não houve aumento, uma vez que o bolso que paga os funcionários é o mesmo. E, se continuasse daquele jeito e o prefeito enguiçasse com o Legislativo, a Câmara corria o risco de parar.

Mas apenas a contratação desses funcionários não explica o aumento de R$ 102 milhões...

Explica grande parte. O aumento aconteceu porque eu tinha funcionários comissionados da Prefeitura. Se você subtrair esse custo, não dá 80% de aumento, e sim 20%, 30%.

Mas houve aumento da verba para assessores, aumento dos salários dos funcionários...

Isso sim, mas não dá 80%.

O aumento do custo da Câmara não se restringe ao funcionalismo. Em que esses gastos melhoraram o serviço da Câmara?

Hoje, toda comissão e toda CPI tem um procurador, e antes não tinha. Tem até comissão que tem dois procuradores. Hoje temos uma segurança jurídica muito maior. Vê quantas ações de inconstitucionalidade que tomamos nesse período. Vocês têm de falar as coisas boas também.

Houve outros avanços?

Sim. Você precisa entrar na Casa e ver como a Casa foi equipada. Hoje, todos os gabinetes têm computador e todo vereador tem laptop. Antes, era só máquina de escrever. Informatizamos a casa, e isso tem custo. Veja o número de projetos que eu aprovei nesses quatro anos. É recorde em tudo, pô.

Em relação aos funcionários...

A orçamentária nossa era uma gozação. A gente pegava funcionários do Executivo para trabalhar no nosso departamento e montar o orçamento aqui.

Quer dizer que aumentou a independência entre os poderes?

Aumentou totalmente. E por que vocês não falam que as contas da Erundina não tinham sido nem apreciadas pelo Legislativo? As contas da Erundina foram aprovadas na minha gestão. Tanto as contas da Erundina quanto as do Maluf, Pitta, Marta, Serra e Kassab.

Há quem enxergue também um viés político no aumento do funcionalismo.

Não há viés político. O inchaço foi técnico, não foi político. Colocamos a Câmara onde ela devia ser colocada. Não tem nada político. É tudo funcionário concursado.

Mas tem a questão de conseguir apoio de outros vereadores, de arregimentar capital político na Câmara. Você não concorda com essa leitura?

Olha, na minha última eleição, de 55 vereadores eu tive 54 votos. Não sou eu que estou falado que aprovei minha legislatura, foram os colegas que me aprovaram.

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