'O governo não faz a parte dele'

Há 22 anos em Higienópolis, o Carlota nunca tinha sido assaltado até ontem. "Foi o segundo estabelecimento da rua na mesma semana", lembra Carla Pernambuco, chef e dona do restaurante, referindo-se ao roubo da Pizzaria Bráz. A seguir, ela dá detalhes do ataque.

Entrevista com

VALÉRIA FRANÇA, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2012 | 03h03

Foi um assalto violento?

Não. Foi tranquilo. Só havia três casais dentro do restaurante na hora. Estávamos quase fechando. Clientes e funcionários ficaram calmos.

O prejuízo foi grande? Não guardamos dinheiro no caixa. E os clientes costumam pagar com cartão. Só levaram pertences, como celulares e outras coisas. Só lamento o desconforto que todos passaram. Nunca aconteceu isso em toda a história do meu restaurante. Tenho câmeras em todos os ambientes, que gravaram toda a ação.

Você achou que foi planejado?

Pareceu mesmo uma molecagem. Mais risco do que lucro. Mas, apesar do desconforto que causou, não caracterizo esse roubo como um comportamento recorrente ou um "calcanhar de Aquiles" para ficarmos em estado de pânico ou em um pavor patológico.

O que você pretende fazer? A minha parte eu já faço. Pago impostos altos. Como a rua é escura, iluminei bem a frente do restaurante. Mas sempre que uma luz da rua queima, tenho de ligar 20 mil vezes para a Prefeitura arrumar. É sempre assim. Tenho segurança na porta. Todos os prédios vizinhos pagam seguranças particulares. Como já disse, acho que esse assalto foi mais uma molecagem do que uma ação planejada. Os meios de comunicação não devem fazer alarde nem espalhar o pânico.

Você pretende aumentar a segurança do restaurante? Novos mecanismos de segurança já foram negociados e ajustados para não coibir nem criar uma atmosfera desconfortável para os clientes, funcionários e fornecedores, dando ao mesmo tempo garantia de tranquilidade e bem-estar.

Você acha que reforçar a segurança resolve a questão?

Acho que essa é uma questão muito mais ampla. A discussão deveria ser outra. Eu fico pensando no que vão fazer os outros cidadãos que não têm essa opção, a de pagar pela própria segurança. Isso é função do Estado. O governo não faz a parte dele. Com já disse, eu pago impostos altos e não sei para onde vai esse dinheiro. Eu pago um seguro de saúde, por exemplo, para ter um bom atendimento médico. Segurança é uma questão bem mais complexa.

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