O futuro de São Paulo, na visão de 25 artistas

Cartazes com pitadas de crítica e humor vão ser exibidos em Senacs da capital e interior

EDISON VEIGA, O Estado de S.Paulo

06 Abril 2012 | 03h02

A São Paulo do futuro na visão de 25 artistas plásticos e designers gráficos vai rodar o Estado. Depois de ficar em cartaz desde o aniversário da cidade, em 25 de janeiro, na Biblioteca Mário de Andrade, a mostra Um Cartaz para São Paulo passa a percorrer unidades do Senac São Paulo a partir desta semana.

Em sua quinta edição, a exposição, com a ideia de homenagear São Paulo, teve como tema o futuro da metrópole. Aos artistas e designers convidados, uma limitação: tudo deveria ser apenas em preto, vermelho e branco, em alusão às cores da bandeira paulista.

Com curadoria do designer e educador do Senac São Paulo, Alécio Rossi, e do designer gráfico Paulo Moretto, as obras são assinadas por jovens e nomes já consagrados, como Marcelo Cipis, Didiana Prata, Gil Vicente, Alice Abramo e Ricardo Coelho.

Artistas. Os participantes recorrem ao humor fino e a doses pontuais de ironia. Caso da designer paulistana Didiana Prata, de 44 anos, que, usando uma roda de bicicleta, trouxe à tona o tema da mobilidade. "Para mim, uma das questões mais pertinentes", explica ela. "Espero que no futuro as pessoas usem menos carro e mais bicicleta."

Ela própria, que mora no Alto da Lapa, na zona oeste, costuma usar a magrela com frequência. "Não todos os dias e não em todos os lugares, porque sou mãe de três filhos e não quero morrer atropelada. Mas uso sempre que posso."

Paulistano de Higienópolis, região central, o artista plástico, ilustrador e designer Marcelo Cipis, de 52 anos, usou o slogan "São Paulo: Pujança Sempre à Frente" para ironizar a mania de grandeza da capital paulista. "Tento lutar contra esse gigantismo, esse fenômeno meio anônimo e ao mesmo tempo brutal."

A participação não ficou restrita a artistas paulistanos. Pernambucano do Recife, o artista plástico Gil Vicente, de 53 anos, vem a São Paulo no mínimo duas vezes por ano, sempre a trabalho. Seu cartaz é uma provocação social: sob os dizeres "São Paulo 2060", ele expõe um sem-teto dormindo ao relento. Um futuro muito parecido com o presente, que, na opinião do artista, também é muito parecido com o passado.

"Não tenho otimismo nenhum. Essa gente que vemos em São Paulo e em todas as cidades grandes, essa minoria dormindo na rua, essas pessoas que nunca tiveram nada ou perderam o que já tiveram, isso não vai mudar. E no futuro vai continuar faltando justiça social. Não há possibilidade de ter esperança."

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