O executivo que faz SP também ter um ano-novo chinês

Como bom chinês, Cheung Hoi Wai tem lá suas superstições. A placa do carro é cheia de oito - número cuja pronúncia parece com "prosperidade" e "fortuna" em alguns dialetos chineses. O celular também tem três oitos e, só para garantir, nenhum quatro - soa como morte. Mas, na hora de organizar a festa de ano-novo chinês em São Paulo, Cheung é racional e frenético como um executivo do mercado financeiro paulistano (coisa que, aliás, ele também é). Trabalha com mais 25 pessoas, voluntárias como ele, para garantir o sucesso da festa que acontece no próximo fim de semana na Praça da Liberdade, simultaneamente à virada na China, que comemora a chegada do ano do dragão.

NATALY COSTA, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2012 | 03h09

Nascido em Hong Kong há 34 anos, Cheung Hoi Wai veio para São Paulo ainda criança com os pais comerciantes e o irmão. Além de falar cantonês, na adolescência decidiu matricular-se em uma escola de mandarim, idioma oficial chinês que não teve a oportunidade de aprender enquanto morava lá. Hoje, só pratica o idioma graças aos canais a cabo de TV chinesa e se diz totalmente adaptado não só à cultura brasileira como à paulistana. "Gosto muito daqui, não me vejo morando em outro lugar tão cedo. Mesmo com a violência, o trânsito, o estresse de São Paulo...", diz.

O expediente no banco, das 9h às 19h, é seu trabalho oficial. Depois disso, ele se dedica à função de presidente da JCI Brasil-China - braço de uma ONG internacional de jovens empreendedores, especialmente dedicado às questões culturais entre os dois países. Na função desde 2007, no ano seguinte Cheung "abraçou" a festa do ano-novo chinês e não ganha salário para organizá-la. "As gerações anteriores sempre tiveram vontade, mas tinham mais dificuldade em fazer essa comemoração, sobretudo por não falarem o idioma", explica.

Chinatown. Outro desafio sempre foi encontrar um "lugar chinês" na cidade - os cerca de 130 mil imigrantes e descendentes que vivem em São Paulo estão espalhados por diversos bairros. Se os planos mais otimistas de Cheung derem certo, isso pode mudar. "No passado, falou-se em fazer uma Chinatown brasileira aqui em São Paulo, mas nunca foi para frente porque não existe uma concentração natural de chineses em um só lugar", conta, referindo-se aos bairros de imigrantes chineses que existem em cidades como Nova York, São Francisco e Toronto. "Mas quem sabe a gente consegue mudar isso?"

Outro plano é trazer para a capital a tradição dos "dragon boats", uma espécie de competição de remo feita em barcos com formato de dragão que nasceu na China com um significado religioso, mas já virou até esporte em alguns lugares do mundo. "Também pensamos em fazer o Festival da Primavera em setembro e colocar muito mais eventos no calendário da cidade", diz.

O ano-novo chinês já faz parte dessas festividades oficiais. Além de apresentações de música típica - de artistas profissionais e amadores da comunidade -, a comemoração tem a tradicional passagem do dragão, a entrega do envelope vermelho e a dança do leão (veja abaixo).

Com 25 voluntários, Cheung Hoi Wai organiza a festa que no

próximo fim de semana celebrará a chegada do ano do dragão

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.