'O estilhaço de bomba atingiu minha perna', relata padre

Ato contra a Copa reuniu 1,2 mil pessoas em São Paulo e foi marcado por confrontos entre policiais e manifestantes

O Estado de S. Paulo

16 Maio 2014 | 23h19

Atualizado às 13h43 de sábado, 17

O protesto contra a Copa, realizado nesta quinta-feira, 15, em São Paulo, terminou em tumulto e depredação. Pelo menos três agências bancárias e uma concessionária foram depredadas e ao menos quatro pessoas ficaram feridas. O ato reuniu 1,2 mil pessoas.  O padre Júlio Lancellotti, que participa dos protestos em São Paulo, relata que também foi atingido por estilhaços de bombas de efeito moral, como aconteceu com outros manifestantes, logo no início do protesto. Ao Estado, ele disse acreditar que a repressão vai aumentar na Copa. Leia a íntegra do depoimento:

"Quando estávamos descendo a (Rua da) Consolação, começaram a estourar as bombas. Foi uma cena pavorosa. O estilhaço de uma atingiu a minha perna esquerda, que sangrou e ficou doendo, mas eu segui. Fui até o Pacaembu com os manifestantes. O que mais me doeu foi ver a tristeza entre eles. Havia deliberadamente uma ação da polícia para dispersar o grupo. É possível que o ato marcado para o dia 24 cresça por causa do que aconteceu. Tinha um ar de que se estava retomando a vontade de fazer manifestação, até pela quantidade de grupos reunidos. Fica clara a falta de conhecimento da polícia ao lidar com manifestação popular e com jovens. A repressão vai aumentar na Copa."

A Secretaria de Segurança Pública contestou as informações em nota. Segundo a pasta, diferentemente do que o padre disse, "a Polícia Militar reconhece o legítimo direito de manifestação da sociedade e oferece todo suporte necessário para o exercício da livre expressão."

"A corporação está preparada para intervir em atos de vandalismo. No protesto na Rua da Consolação, os PMs agiram prontamente em resposta a atos de violência e vandalismo desencadeados por pessoas que integravam a manifestação. Vale destacar que a ação policial obteve êxito em evitar que se cometessem outros crimes", diz ainda a nota.

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