O endereço dos alimentos

Diariamente, 10 mil toneladas de produtos, vindos de 1.500 municípios, são comercializados na Ceagesp

Edison Veiga, de O Estado de S. Paulo,

23 Janeiro 2009 | 12h20

Por fora dos pavilhões, caminhões carregam e descarregam por todo lado - são 10 mil veículos por dia. Por dentro, os boxes cheios de frutas, verduras, legumes, pescados e flores traduzem a variedade em cores e aromas - são 10 mil toneladas de produtos por dia. Entre eles, uma multidão apressada - são 50 mil pessoas por dia -, na maioria de frequentadores experientes que já sabem aonde ir, completam a impressão: eis um movimentado labirinto ladeado por tentadoras opções alimentícias.   Veja também: Comida para quem tem fome O caminho da água, dos mananciais às torneiras A metrópole desvendada Antes da missa da Sé, o corre-corre do sacristão O senhor da hora certa Depois da última estação De carne de bode a celulares - muitos celulares Uma balsa. Dentro de São Paulo Uma cozinha para atender à bicharada   Esse é o Entreposto Terminal de São Paulo da Ceagesp, a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo, que ocupa uma área de 700 mil metros quadrados na Vila Leopoldina, bairro da zona oeste paulistana. Ali diariamente chegam alimentos produzidos em 1.500 municípios de 25 Estados brasileiros e de outros 14 países. "É a terceira maior central de abastecimento do mundo", exalta Cláudio Furquim Leite, presidente da Associação dos Permissionários do Entreposto de São Paulo. "E funciona de um modo bastante interessante: é público, mas é o setor privado que opera e organiza."   De certa forma, foi o que aconteceu ao longo da história da companhia. Ao mesmo tempo que sua estrutura fez com que muitos produtores e atacadistas crescessem, fornecendo alimentos frescos para a pujança comercial e gastronômica paulistana, esses mesmos empresários - ali chamados de permissionários, por terem permissão para explorar cada um dos 2.700 boxes da Ceagesp - fizeram com que a central adquirisse importância e se organizasse.   É o caso da família Benassi, que se tornou uma das mais bem-sucedidas agroempresas que operam no entreposto. A história empreendedora do clã teve início há três gerações, na década de 40, quando João Benassi, proprietário de um pequeno sítio em Jundiaí, começou a comprar bananas dos produtores vizinhos e a revender na cidade. "Assim ele conseguiu dinheiro para começar a plantar uvas", conta seu filho Mario, de 62 anos.   O segundo passo foi a abertura de uma barraquinha de frutas às margens da Rodovia Anhanguera, nos anos 1950. Mas os sete filhos de João queriam mais. Em 1952 passaram a comercializar os produtos no Mercado da Cantareira, em São Paulo. E, como a produção própria era sazonal e abrangia apenas três meses por ano, passaram a comprar outras frutas, de agricultores vizinhos, para revender na capital paulista.   Os Benassi são um dos fundadores do pavilhão que ocupam até hoje na Ceagesp, inaugurado em 1966 - ainda se chamava Centro Estadual de Abastecimento (Ceasa). "Mas, um ano antes da abertura, chegamos a trabalhar por um tempo aqui, por causa de uma enchente na Cantareira", lembra Mario. "Não havia energia elétrica. Passávamos as madrugadas no lampião."   Hoje a empresa é administrada por um de seus filhos, Eduardo. Em Jundiaí, eles seguem produzindo uvas, mexericas e caquis. E, para revender, compram frutas do mundo todo. "Da pitaia brasileira à cereja americana", exemplifica Eduardo. A estrutura nem se compara à de quando tudo começou. São 50 funcionários na Ceagesp, 120 em um depósito externo, 30 em um escritório em Jundiaí e mais de mil divulgando e vendendo em lojas e supermercados. "Esse trabalho com os varejistas precisa ser diário."   A Ceagesp nasceu da fusão em 1969 de duas companhias mantidas pelo governo paulista: o Ceasa e a Companhia de Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Cagesp).

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