O criador da estrela do júri

O criador da estrela do júri

Fábio Fogassa, de 31 anos, fez a maquete do Edifício London que provocou alvoroço durante o julgamento e foi até danificada por testemunha

Paulo Sampaio, O Estadao de S.Paulo

25 Março 2010 | 00h00

Por enquanto, a maquete que virou estrela no julgamento dos Nardonis não rendeu novos clientes ao autor. "Só me ligaram amigos, para dar parabéns", conta Fábio Fogassa, que fez um precinho especial para o Instituto de Criminalística São Paulo. Diz ele que pensou no investimento, não no lucro.

Por uma maquete como a do Edifício London (1,30m de altura, 1,70m de largura e 1,50m de profundidade) e a do apartamento onde o réus moravam (1m de altura por 1m de largura), Fogassa cobraria algo entre R$ 20 mil e R$ 60 mil. Então, as duas maquetes do caso podem ter saído por uns R$ 40 mil?

"Quem disse que o valor está dentro desse limite? Eu posso ter cobrado abaixo disso; posso até ter pago, em vez de ter cobrado...", diz.

Críticas. Estrela no meio da constelação de magistrados, a maquete foi criticada, chegou a ser agredida involuntariamente por uma testemunha e até acusada de promover o atraso no segundo dia de julgamento.

"Mentira!" reage Fogassa, de 31 anos. "Começamos a montagem por volta das 8h15 e não levamos mais de 10 minutos." A Assessoria de Imprensa do Tribunal de Justiça afirma que, por volta de 9h, horário marcado para o início da sessão, ainda havia gente mexendo na maquete. O julgamento começou às 10h15.

Ao oferecer um abatimento no preço para o Instituto de Criminalística, Fogassa não pensou apenas na publicidade indireta, mas no ineditismo da situação. "Não existe na história recente o registro do uso de maquetes em julgamentos. Queríamos ser os primeiros", diz o maquetista (não é "maqueteiro").

De fato, a perita Carla Campos, que trabalha na superintendência da Polícia Científica (da qual o IC é subordinado), diz que o pedido do promotor Francisco Cembranelli foi uma surpresa. "Não tínhamos recursos técnicos para a execução da maquete. O próprio doutor Cembranelli teve de nos indicar uma empresa especializada", diz.

Em seus 30 anos de experiência, o desembargador Nélson Calandra, ex-presidente da Associação Paulista dos Magistrados, diz que não se lembra de ter visto um recurso técnico tão apurado. "Já vi até simulação, mas, maquete, não me recordo. Em um caso desses, em que não há prova testemunhal, o aparato técnico é importantíssimo. Se não fosse por ele, precisaríamos supor uma porção de situações e, ao fim, os réus seriam absolvidos por falta de provas."

Três funcionários de Fogassa estiveram no Edifício London para "tirar as medidas". Como o apartamento dos Nardonis está judicialmente lacrado, eles usaram como modelo uma unidade idêntica, em outro andar.

Dubai. Festejada no mundo, a Adhemir Fogassa tem em seu currículo trabalhos como a maquete da vila olímpica de 2016 (R$ 230 mil), do Shopping Cidade Jardim (R$ 800mil) e a do World Trade Center paulistano (R$ 140 mil). Adhemir, de 56 anos, pai de Fábio, começou a montar maquetes em 1973 e se aposentou em 2008.

O site da empresa oferece quatro opões de línguas, entre elas o árabe. Sim, Fogassa chegou a Dubai. A Ferrari encomendou a maquete de um parque temático de 80milm².

Até o irmão de Osama Bin Laden, o xeque Tarek Mohamed Bin Laden, tornou-se cliente. Em 2008, ele encomendou a maquete de um prédio misto, com 1,5m por 1,5m. Custaria R$ 50 mil, mas Fogassa, de olho no mercado árabe, despachou a obra por R$ 35 mil.

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