O centro de SP, por um morador do interior

''Ficou a impressão de que São Paulo é uma cidade humana e majestosa, mas está malcuidada'', resume correspondente de Sorocaba do ''Estado''

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2011 | 00h00

Quem chega a São Paulo já não se surpreende com o trânsito cada vez pior. O que choca é a quantidade de gente que dorme em calçadas ou vaga pelas ruas em pleno coração da cidade. As pichações, a sujeira e os sem-teto no entorno de velhos símbolos, como a Praça da Sé, o Mosteiro de São Bento e o Largo São Francisco, evidenciam a falta de cuidado com limpeza e atendimento social.

Por dois dias, o repórter, que mora e trabalha no interior paulista, percorreu ruas da capital. Ficou a impressão de que São Paulo é uma cidade humana e majestosa, mas está malcuidada.

Na Sé, sacos ficam amontoados até a tarde. Turistas chineses que fotografavam a imponente catedral faziam malabarismos para excluir da imagem embalagens jogadas no chão. A praça foi reformada, mas sinais de deterioração já são evidentes. Grafismos de mármore que destacam o Marco Zero estão quebrados.

Apesar das bases da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana, o local é dominado por drogados e moradores de rua. Grades circundam a catedral, mas não impedem que nichos externos e escadarias sejam usados como banheiro. O entorno está degradado: as Ruas Benjamin Constant e Líbero Badaró têm calçadas esburacadas e prédios pichados de alto a baixo. Imóveis parcialmente demolidos dão ao centro ar de cidade em guerra.

Entre a Rua Helvetia e o Largo Coração de Jesus, região conhecida como Nova Luz e apontada como nova cracolândia, ao menos 150 homens e mulheres vagavam ou dormiam nas calçadas. Na fila do Bom Prato, com refeições a R$ 1, o aposentado João Schwartz Kruger tinha uma tese para a concentração de sem-teto no centro. "Estão perto de tudo e as pessoas são mais generosas e tolerantes."

De dia, não se pode reclamar de falta de policiamento no centro. Com a Operação Delegada - convênio entre Prefeitura e PM -, policiais estão por toda parte. Há iniciativas para recuperar a bela arquitetura de edifícios como o Palacete Chavantes e a Casa das Arcadas, na Benjamin Constant. As Ruas da Quitanda, Direita e 15 de Novembro viraram movimentados e agradáveis calçadões.

Badaladas. O Teatro Municipal, em obras, o prédio do antigo Othon e o Viaduto do Chá formam bonito conjunto, mas descuidado. O Pátio do Colégio está limpo e conservado. Dali se ouvem badaladas da Igreja de São Bento, marcando horas como antigamente. Mas também há cheiro de urina, nos arredores da Secretaria da Justiça.

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